Solta o play

Além de ser o local de destino para quem procura vídeos sobre como montar uma estante, apresentações de programas de música ou mesmo os old but gold vídeos de gatinhos, o YouTube quer ser levado à sério pelos anunciantes enquanto produtor de conteúdo. Mas a maré não anda boa para o site: no último trimestre, a rede social teve uma redução em receita e foi um dos motivos que puxou a queda da Alphabet com esta métrica, crescendo apenas 15%, sendo que o trimestre anterior havia registrado uma alta de 24%. Para mostrar que aqui tem trabalho (e possibilidades de lucro para as marcas), a plataforma anunciou que vai exibir seus Originals e conteúdos especiais no esquema grátis, mas com anúncios, durante determinados períodos do ano.

Crescendo tipo bonsai

Dentro dessa estratégia “free-to-watch” o primeiro título a ser anunciado foi o arrasa-quarteirão Cobra Kai, continuação da franquia Karatê Kid e que acabou de ter sua segunda temporada disponibilizada no serviço. Quem quiser assistir a história na faixa, por exemplo,  vai esperar até 29 de agosto, quando a empresa vai “abrir o sinal” da temporada 1 até o dia 11 de setembro - data em que a season dois vai ser oferecida gratuitamente, com lançamentos de um episódio saindo por semana. Com isso a firma quer agradar tanto os usuários, que “se pá” podem até assinar o serviço para assistir as tretas de Johnny Lawrence e Daniel  LaRusso, como também mostrar ao filão publicitário que a sua marca tem potencial para abocanhar uma parte dos milhões que são direcionados para o mundo da TV.

Show me the numbers

A plataforma também colocou pra jogo alguns números de audiência. Contabiliza atualmente 2 bilhões de usuários ativos, um crescimento de 100 milhões de novos serumanos em comparação com o ano passado. Só o seu catálogo de conteúdo pago, por exemplo, reuniu 2,5 bilhões de views no ano passado. O tempo que as pessoas assistem YouTube na televisão também não é de se jogar fora: 250 horas por dia. E o dado mais valioso para conquistar o bolso dos anunciantes é que, hoje, o site consegue atingir mais pessoas entre 18 e 49 anos (o público que costuma gastar) do que todas as TVs a cabo combinadas.

Numeros who?

Nessa altura do campeonato já é ponto pacífico que o YouTube tem audiência. O desafio está na marca conseguir provar que gera renda por si mesma (paywall). Por fazer parte de uma holding, dados como receita total e lucro acabam entrando no mesmo pacote que outros produtos da Alfabeto, como o sistema Android. Alguns aspectos gerais até são comentados - como a influencia da marca na queda de receita, comentada lá em cima - só que dados mais profundos acabam não aparecendo. Com isso, quem está de fora do ecossistema G não tem uma noção clara do potencial do negócio e pode preferir apostar num garanhão conhecido do que num cavalo jovem, mas cujo dono não deixa ninguém chegar perto para inspecionar.

All by myself - I wanna be

Sem falar que, por estar associado com outras marcas, o YouTube acaba ficando dependente dos resultados alcançados pelas subsidiárias da Big A. O que, até o momento, nunca foi um problema. Mas, caso a queda de faturamento continue e/ou aumente, combinado com outros problemas relacionados ao universo de tecnologia que acabam custando dinheiro (como multas por questões de privacidade), a necessidade por mais receita externa pode ficar mais crítica para o YT.  Por isso, a empresa está mexendo os pauzinhos para em busca de mais receita externa para garantir que, de vermelho, só vai ter o logo mesmo.

Meu view vale ouro via The Brief