Mudanças imperativas

“Se nós não nos submetemos a um imperador, não deveríamos nos submeter a um autocrata do comércio com poder para impedir a concorrência e fixar o preço de qualquer mercadoria ”. A frase, de um discurso feito no final do século XXI, foi usada por Chris Hughes, cofundador do Facebook e atual editor-chefe da revista The New Republic, para incentivar o governo a ser (beeem) mais rígido com a companhia que ajudou a criar. Publicado pelo New York Times, o editorial escrito pelo executivo parou o dia do mundo tech por ser uma crítica vinda de um personagem que ninguém esperava.

Muita coisa para uma pessoa só

No texto, Hughes começa dizendo que Mark é uma boa pessoa, mas que o foco em crescimento priorizou o lucro e não deu atenção a questões relacionadas com segurança e bem-estar dos usuários na plataforma. Além disso, ter total controle sobre as redes sociais que possui deu ao jovem um poder muito além do normal. Um exemplo foi a decisão tomada por Zuckerberg de deletar todas as mensagens privadas dos usuários que vivam em Myanmar e estavam incentivando o genocídio existente na região. Apesar da atitude ter sido por um motivo muito válido, o cofundador ressalta que o CEO agiu de uma forma que impactou um país inteiro sem precisar prestar contas.

O mundo Facebook

Além de uma influência que ultrapassa fronteiras, o Hughes acredita que o atual tamanho da companhia de Palo Alto impede o surgimento de plataformas que tornariam o mercado mais competitivo. Isso porque o FB tem grana para adquirir potenciais rivais o copiar recursos que podem ameaçar seus negócios (Snapchat mandou lembranças). Isso sem falar na concentração de verba de mídia online: a estimativa é de que mais de 80% da receita separada pelas empresas no mundo inteiro para publicidade na web é investida na dupla Facebook & Insta.

Separar para crescer

Por conta deste cenário, o executivo acredita que a melhor saída para diminuir todo esse poderio tech seria o governo forçar (via regulação) o Facebook Inc. a vender o Instagram e WhatsApp (bem como a participação em ações) e impedir aquisições a curto e médio prazo. De acordo com ele, os juízes que aprovaram a compra das marcas não entenderam que, embora os serviços sejam gratuitos para os usuários, o monopólio que elas detêm é prejudicial. Para reforçar sua tese, executivo lembra o esforço que a senadora Elizabeth Warren está fazendo nesse sentido, afirmando que não só o Face, mas Google e Amazon também deveriam vender algumas de suas operações mais significativas para “igualar forças” dentro de um ambiente onde poucas empresas controlam muitos serviços.

Friendly Fire

O próprio Hughes citou alguns dos motivos apresentados contra essa separação, como o medo de que a decisão seja ruim para a economia ou que o status que os EUA possui dentro do cercadinho social seja superado pelos chineses. Na opinião do cofundador (que não tem mais ações FB desde 2012) esse tipo de receio não tem razão de ser, pois as marcas ainda ficariam dentro do país. Para o empresário, agindo de forma mais rigorosa, não só o Facebook, mas outros gigantes tech adotariam práticas e regulações mais favoráveis aos usuários. Bem. Ainda é cedo para saber qual será a estação final desse bonde da separação, mas uma coisa é certa: a viagem será bem emocionante.

Cortando as asinhas do Face via The Brief