Old chimp, new tricks

Todos os dias o Mailchimp é responsável por entregar milhões de campanhas por email para a internet mundial. Algumas menos importantes (como aquele anúncio de relógio-espião que não inspira confiança nenhuma) e outras realmente marcantes (como certa newsletter de negócios cheia de malemolência que deixa você mais esperto em questão de 7 minutos). Fundada em 2001, a startup está na internet desde a época de ouro do Hotmail — sim, o Gmail só chegaria alguns anos depois. Acontece que o chimpanzé carteiro diz que possui novos truques na bolsa. E quer ir além da sua caixa de entrada.

Ben Penca e seus Chimpinhos amestrados

A companhia do carteiro primata anunciou ontem o Mailchimp Platform, solução focada nas pequenas e médias empresas (PMEs), que planeja facilitar a vida dessa galera no mundão da WWW. O objetivo é atender às necessidades básicas de uma companhia, seja a construção de um site, gestão nas redes sociais ou retargeting. E, claro, o envio de emails. Quem assinar o novo formato pagará um valor inicial de USD 10. Ou USD 15, no caso de uma versão intermediária do serviço. Os atuais clientes (como a gente) manterão o plano atual, com a facilidade de fazer o upgrade quando desejarem.

Operação Small Hero

O foco nos pequeninos não é coincidência. A startup vem namorando soluções de marketing, como ferramentas para criação de landing pages simples ou anúncios no Facebook para aquele restaurante de cachorros-quentes veganos do seu bairro. “Ainda vemos uma demanda grande para esse tipo de solução”, comentou o cofundador e CEO do MC, Ben Chestnut. Empoderar as pequenas companhias com soluções tech é uma tendência. Recentemente, Square, Shopify e PayPal também expandiram seus cardápios para atender quem pode só pode pagar pelo menu de “pequenos preços”. Mercado consumidor essa galera tem: nos EUA, as PMEs correspondem a 48% do PIB — no Brasil, o percentual estava em 27% em 2014.

Quebrando o galho

A seu favor, nosso colega símio conta com uma base bem consistente de potenciais clientes. De acordo com o CEO Ben Chestnut, cerca de 11 milhões de clientes possuem cadastro ativo na plataforma, disparando mensagens que atingem uma audiência global de 4 bilhões (sim, bilhões) de caixas de email. Outro ponto que a marca pretende usar como argumento é o fato de que, por não ter relação financeira com as plataformas de rede social ou publicidade online, manterá o foco em oferecer o melhor serviço para as PMEs, independente do local em que elas desejarem trabalhar.

Chimpando o marketing

Os riscos da empreitada estão, justamente, na concorrência. Afinal de contas, marcas como Google, Facebook e Amazon também encaram o mercado PME da mesma forma que um macaco admira uma grande cesta de bananas. E, nesse caso, dá para dizer que as big companies têm alguns bilhões de dólares de vantagem em uma eventual corrida contra o chimpanzé carteiro. Resumo da ópera: é bom que a iniciativa do Mailchimp não seja só micagem e que a empresa esteja preparada para dar seus pulos.