@Here, Investidores

O Slack de Stewart Butterfield começou a semana bombando. Isso porque o cofundador e CEO do software corporativo queridinho do momento convidou seu @channel de #Investidores para falar sobre o futuro da startup. A companhia divulgou seus dados trimestrais e revelou a data de sua chegada à Bolsa. Ao que tudo indica, os papéis do app serão negociados com a sigla SK a partir do próximo 20 de junho. E essa é só uma das paradas da companhia rumo ao seu grande objetivo: se tornar a desenvolvedora de software mais importante do planeta.

Energia ou Slack? O futuro dirá

Em janeiro, a dona do mensageiro corporativo bateu a marca de 10 milhões de usuários diários ativos e está toda prosa. Atualmente, são mais de 600 mil companhias que se comunicam por meio do mensageiro. Desse tanto 88 mil pagam pela solução. Em sua última rodada de venture capital, o Slack foi avaliado em USD 7 bilhões. Parte dessa thread do sucesso vem acompanhada de um pitch pra lá de ousado de Butterfield. Em reunião com os investidores, o executivo deixou claro que seu produto “está apenas começando” e que vê o serviço se tornando um utilitário essencial, assim como internet e eletricidade.

All unreads, not all right

Para chegar lá, o unicórnio favorito dos startupeiros precisa melhorar seus números. No último trimestre, a empresa arrecadou entre USD 133,8 e USD 134,8 milhões — contra USD 80,9 milhões do mesmo período de 2018. As perdas da startup também cresceram de USD 26,3 mi em 2018 para USD 39 milhões no atual período fiscal. A companhia prometeu revelar mais dados do primeiro quarter deste ano, realizar uma conferência com os investidores no dia 10 de junho e também divulgar uma previsão dos números do segundo trimestre de 2019. Tanta preocupação tem um motivo claro: evitar uma repetição do IPO da Uber, considerado desastroso por alguns analistas.

Don't Threaten Me With a Good Stock

Para evitar qualquer susto, a companhia deve entrar na Bolsa só no sapatinho, como fez o Spotify, por meio de uma listagem direta no lugar de um IPO propriamente dito. Vale a pena fazer uma ressalva de que o Slack não está perdendo bilhões de dólares anualmente, como a ride-hailing comandada por Dara Khosrowshahi. No entanto, o mensageiro tão essencial quanto a eletricidade também está longe de ser lucrativo. No fim do ano fiscal, em janeiro, a empresa registrava um prejuízo de USD 138 milhões, para uma arrecadação de USD 400 milhões. O motivo das perdas seria o ganho em escala em seus negócios, segundo documentos divulgados pela startup de São Francisco. Ao que parece, a estratégia é combinar uma vibe vitoriosa e cheia de high hopes no discurso. Tudo para não causar nenhum ~panic at the bolsa~. Se é que vocês nos entendem.

Direct Message

Com o novo formato, a empresa permite que seus investidores comercializem as ações, mas não deve levantar uma quantidade significativa de dinheiros — algo que ocorre nos IPOs tradicionais. Vale lembrar que o Slack já angariou USD 1,2 bilhão de empresas como Accel, Andreessen Horowitz, SoftBank e Google Ventures. Depois dos altos e baixos na abertura de capital de Uber, Lyft, Zoom e Pinterest, manter o canal aberto e confiável com os parças das finanças pode ser uma forma de se proteger dos olhares desconfiados pós-Uber. Ou seja, o papo do mercado para o Vale foi reto: além de um pitch afiado, é bom que os unicórnios cheguem à Wall Street com um belo plano para fazer dinheiro.

Cut me some Slack via The Brief