Copia, mas não faz igual

Na Escala Treta de ambientes mais problemáticos para redes sociais, o Twitter está pau a pau com Facebook e YouTube como um lugar em que as fake news e o bullying online correm soltos. Sabendo como isso prejudica não só a adesão de novas @s, mas também a possibilidade de a rede do passarinho ser considerada pelos anunciantes, a empresa de Jack Dorsey está fazendo testes com o twtrr, a versão Beta do seu app experimental. Atualmente, o objetivo é colocar em jogo mudanças que visam tornar a plataforma um lugar mais deboas para todos sem, para isso, descaracterizar completamente o produto atual.

Pense antes de tuitar

Uma das coisas que até hoje chamam atenção no Twitter é a possibilidade de receber um reply de um artista ou uma celebridade twitteira — isso quando não é o seu próprio post que bomba. O causo é que esse mesmo potencial de visibilidade também gera problemas. Desde fazer um retweet exagerado apenas pela busca de likes até ler um tweet que estava dentro de outra discussão e, por não ter pegado o contexto, fazer um comentário mais agressivo ou equivocado. A hipótese que a equipe dos 280 caracteres está levantando no momento é de que, caso o layout atual do produto seja mudado para incentivar as pessoas a lerem todo o conteúdo antes de se manifestar, esse tipo de ruído do mal diminuiria consideravelmente.

Luta por likes

Com essa tese em mente, o time que cuida das interações do twtrr testa diferentes formatos de fio, com o intuito de fazer os usuários acompanharem toda a história. Outro recurso em avaliação é uma espécie de cartão identificador, que apresenta a Bio e a foto do dono da thread dentro do histórico de debates. Mas a funcionalidade que mais gera burburinho é a que “esconde” o número de likes e RTs das respostas (é preciso tocar na tela para ver esses dados). Os usuários reclamam porque acreditam que esses dados ajudam a entender se uma mensagem “vale o tempo da leitura”. Segundo a reportagem feita pelo BuzzFeed sobre o tema, o grupo está trabalhando para encontrar um meio-termo que satisfaça os usuários, mas tire a importância desses números.

Curtir ou não curtir?

A plataforma passarinheira não é a única que está trabalhando para tornar a sua rede mais orientada ao diálogo e menos aos números. No final de abril, saiu a notícia de que o Instagram estuda remover os likes da sua plataforma para evitar o senso de competição que os corações fotogênicos causam. A essa altura do campeonato, as redes perceberam que muitas das ferramentas criadas para gerar engajamento reforçam comportamentos que não são saudáveis e estão em busca de alternativas para deixar sua timeline menos tóxica — mas sem causar uma debandada de membros ativos. Uma tarefa que não é nem um pouco simples.

All we need is love. And tweets

A jornalista do BuzzFeed que está no grupo Beta do twttr achou que o redesign possui elementos úteis no quesito “fazer o leitor acompanhar os dados legais da thread e desviar dos trolls que passam pelo caminho”. Claro que só uma organização melhor das infos não vai fazer o app se tornar um paraíso da liberdade de expressão. No final das contas, são os próprios usuários que decidem o que fazer com as ferramentas de que dispõem. Mas ter a opção de ouvir uma sinfonia de informações no lugar de uma cacofonia de notícias picotadas em diversos tweets pode funcionar como um incentivo para quem prefere ser agente de paz no condado twitteiro.

Não entendeu? Deixa que eu redesenho! via The Brief