Iguais, mas diferentes

Sabe quando você olha para uma fila, vê alguém se estabacar e começa a pensar que é bem provável que o mesmo aconteça com o próximo? Esse é o sentimento atual do mercado financeiro com os unicórnios. Após apostar nos IPOs de Lyft e Uber, que estão com desempenhos bem aquém do esperado, a impressão dos analistas é a de que a novela vai se repetir com as outras marcas de destaque que estão para entrar na Bolsa. Daí, essa galera precisa provar com muito mais consistência que não vai seguir o caminho do flop. Um exemplo é o da WeWork. Atualmente a startup mais valiosa dos EUA, a companhia de Adam Neumann quer mostrar que, com as ride-hailings, divide apenas o título de equino encantando.

We Are WeWork

Com uma receita crescendo a 113% ano a ano, o discurso da WeWork é de que ela só não é lucrativa porque investe o dinheiro em expansão. E haja fermento para crescer tanto esse bolo. Desde sua fundação, em 2010, a companhia já levou seus design modernoso para mais de 420 escritórios, espalhados em 36 países. De acordo com a marca, ainda há bastante espaço para crescer: tanto por conta da demanda de clientes, que desejam terceirizar a gestão do espaço físico dos seus escritórios — serviço que está dentro do guarda-chuva We —, quanto pela abertura de novos espaços de trabalho. Segundo o chefão, a WW tem apenas 0,09% de presença nas 260 principais cidades do mundo.

Spending my cash

Se o cenário é tão positivo, por que a preocupação com a meninada da NóisTrampa? Isso acontece porque as despesas da marca — avaliada em USD 47 bilhões — seguem dobrando para que ela encante novos membros com seus escritórios cheios de palavras em neon nas paredes. A estimativa entre analistas é de que a WW queime suas reservas de USD 9 bilhões até, no máximo, 2020. No entanto, Neumann faz questão de mandar um “calma lá” nas comparações com Uber e semelhantes. “É muito diferente. Nós estamos construindo algo que gera fluxo de caixa, não estamos dando descontos em uma guerra de preço”, explica. De fato, Uber e Lyft gastam fortunas para garantir usuários e motoristas em suas plataformas. Mas a ciência do aluguel de postos de trabalho não é assim tão exata quanto o cofundador da WW aponta.

Working Man

Acontece que o principal negócio da WeWork envolve assinar contratos longos com propriedades e depois alugar porções menores desse espaço para clientes de curto prazo — o que pode fazer com que a companhia perca locatários do dia para a noite em períodos de recessão, por exemplo. Até aqui, a WW diz que conseguiu lidar com essa situação sem grandes sobressaltos. Outro ponto que também preocupa os investidores é a postura “nós trabalhamos, mas quem manda sou eu” de Neumann. Além de deter o controle dos votos da empresa, o cofundador aluga uma série de propriedades em seu nome para a WeWork. Alguém aí ouviu falar em conflito de interesses?

Iniciando os trabalhos

Para resolver a questão, o executivo deve vender esses espaços a preço de custo para um fundo imobiliário da startup nova-iorquina, chamado de ARK. Começando com um capital de USD 2,9 bilhões, o fundo deve investir em imóveis que possuam a WeWork como principal locatária. A ideia é que, ao valorizar as propriedades por conta de seus escritórios luxuosos, a empresa também esteja valorizando seus próprios assets. Anunciada nesta semana, a ARCA deve funcionar de forma independente do negócio principal, mas para todos os efeitos a companhia estará negociando “dentro de casa” quando alugar uma propriedade pelo fundo. Para garantir que o rio de dinheiro não seque, a companhia também tem apostado em contratos com marcas parrudas, como Amazon, Facebook, IBM e Microsoft. Afinal de contas, não adianta só trabalhar e morrer no IPO, não é mesmo?

Cada unicórnio no seu quadrado via The Brief