Vapor tech

Do hall de startups que ganharam o mundo no ano passado, a Juul é uma das que olha para 2018 com um sorriso no rosto. Do ramo dos cigarros eletrônicos (mais conhecidos como vaping), a empresa comandada por Kevin Burns ocupou mais de 70% desse mercado nos EUA. No fim do ano, recebeu um investimento em cash de USD 12,8 bilhões da fabricante de cigarros Altria, em uma clara aposta de que a marca tem potencial para ditar o futuro dessa indústria. Os movimentos da empresa ficaram na surdina nos últimos meses, mas voltaram após esta matéria do OneZero sobre a treta que pode surgir por conta do novo dispositivo que será lançado pela companhia e terá tecnologia Bluetooth para ser pareado com um novo aplicativo.

Dados defumados

O objetivo do app é ampliar sua oferta de soluções para que os fumantes abandonem o hábito, além de possuir recursos de geolocalização que podem ser utilizados como controle de consumo — por exemplo, não permitir que o vaping seja ligado dentro de escolas. Só que a entrada no mundo dos dados não é um movimento exclusivamente particular: a Juul deve lançar um programa para compartilhar os dados de seus clientes com parceiros. Ou seja, vamos apenas imaginar, por exemplo, se os dados de quanto tempo os funcionários passam fumando no trabalho caírem nas mãos de gestores… Sim, amigos! Seria o caos do RH mundial. E essa é apenas uma das informações “sensíveis” que podem ser armazenadas pela companhia.

Cartela cheia

Ainda não há informações precisas sobre o programa de acompanhamento dos e-fumantes, mas a startup deve atualizar sua política de privacidade com o lançamento dessa nova plataforma integrada. O que sabemos até aqui? Que a marca já se reserva ao direito de compartilhar dados pessoais, tipo localização, endereço de e-mail e informações de pagamento com terceiros. Como bem notam os críticos, o senão aqui é que a Juul deve expandir tanto a coleta quanto o números de parceiros com esse movimento. Outro cenário bastante temido por especialistas é que esses dados sejam compartilhados com convênios e seguradoras — nem sempre com consequências positivas para os usuários.

Alerta de hype

A discussão sobre dados é só uma controvérsia nova para o maço da JL. Apesar de se considerar uma empresa de tecnologia voltada para a saúde, a startup é acusada de viciar adolescentes em nicotina por conta do apelo “descolado” de seus produtos. Recentemente, a marca passou por uma investigação da FDA e decidiu mudar seu direcionamento para atingir usuários mais adultos. Cientistas ainda nem têm um consenso se vaping é ou não uma boa, mas o fato é que a venda de dados pode trazer lá seus milhões aos cofres da startup. Além de agradar aos investidores, a Juul Labs prova que onde há fumaça nem sempre há fogo, mas há um belo atalho para os lucros.

Fumaça & Data via The Brief