“Parece que os recrutadores sempre pedem um pouco mais do que eu já sei fazer” — esse comentário ecoa na cabeça de muita gente que está de olho em alguma vaga no LinkedIn ou em outro serviço semelhante. E a sensação de nunca estar suficientemente qualificado faz com que muita gente perca oportunidades. Isso acontece porque, quando a gente vê uma vaga daora, mas que pede habilidades que não temos, a primeira reação é declarar a derrota e partir para a próxima. Mas, na verdade, o mais interessante seria se candidatar e depois correr atrás para aprender as ferramentas ou competências faltantes.

Acontece que as organizações esperam que as pessoas se desenvolvam nos cargos — especialmente colaboradores novos. Esse processo de dúvidas, busca de aconselhamento e até alguns erros é bem-vindo, explica o professor-doutor de Psicologia e Marketing da Universidade do Texas, Art Markman. É aquela coisa: quando um profissional consegue uma vaga para a qual está totalmente preparado, é mais comum que se sinta confortável e dê resultados em curto prazo — mas isso também pode fazer com que a pessoa fique estagnada em uma determinada função, o que é bem ruim em longo prazo.

O professor comenta que, se você tem o crescimento como meta, é essencial ser capaz de adquirir novas habilidades. Aprendê-las a partir de uma posição em que você está superqualificado e, portanto, confortável, vai demandar um esforço bem maior, por assim dizer. Ao passo que, ao encarar um desafio novo, você pode incorporar esse aprendizado ao seu dia a dia de trabalho.

A lição aqui é tratar as tarefas (ou cargos) difíceis como falta de habilidades (que podem ser adquiridas), e não como falta de talento (algo que não dá para mudar). É o que os psicólogos de trabalho chamam de mentalidade de crescimento. Ou, nas palavras do próprio Markman: “se você é completamente qualificado para a vaga, você está mirando muito baixo”.

CEO 24/7: Por que se candidatar mesmo não preenchendo todos os requisitidos via The Brief