The Warehouse Games

É provável que você, leitor ou leitora que nos lê agora, tenha alguma tarefa um pouco automática durante o seu dia. E, por ser algo que não exige muito da sua sagacidade, é bem capaz que esse não seja o momento mais produtivo do seu dia. Agora pense na vida de quem desempenha uma profissão 100% monótona e como deve ser puxado ter alguma empolgação para fazer a mesma coisa todos os dias. Essa é a rotina de milhares de funcionários que trabalham nos centros de distribuição da Amazon, responsáveis por organizar o mundaréu de caixas que serão postadas. Para fazer com que essa turma encare a labuta com a empolgação de um primeiro dia de trampo, a firma de Jeff Bezos organizou um projeto-piloto que inclui gamificação em atividades manuais.

Olimpíadas Amazônicas

Desenvolvidos pela própria amazona, os jogos são instalados nas estações de trabalho dos funcionários e contam com gráficos ao estilo Super Mario Bros. É possível competir contra outro colaborador ou uma área inteira, e o software vai mostrando o progresso de cada lado da batalha até que um time seja o primeiro a completar a tarefa. Se você ficou curioso em ver como é o jogo, um jornalista da Fast Company fez esta foto aqui de uma competição em tempo real. Os vencedores são recompensados com badges ou mimos corporativos. De acordo com o The Washington Post (jornal que faz parte do acervo de propriedades do menino Jeff), esse ambiente trabalhado nos joguinhos já foi implantado em cinco centros de distribuição da companhia, todos próximos ao seu HQ, localizado em Seattle.

Press Start to work

A mãe da Alexa não é a primeira empresa a utilizar recursos de gamificação para incentivar quem trabalha com atividades mais monótonas. A Uber, por exemplo, dá bônus em dinheiro para motoristas que completam 20 corridas dentro de um determinado período. Dentro do mundo do varejo, a Target utiliza joguinhos nas caixas registradoras para que os empregados escaneiem os produtos mais depressa; já no ar, a Delta Air Lines faz uso do recurso em tarefas mais paradas. E a iniciativa parece surtir o resultado esperado: dos colaboradores que o WP entrevistou de forma anônima, todos tiveram uma opinião favorável aos games, dizendo que eles realmente deixaram a rotina mais divertida.

Série B do armazém

Claro que podem surgir problemas dentro dessa prática. O primeiro, mais óbvio para a gente que vive nesse mundão da tecnologia, é que esses dados podem ser usados como critério de demissão ou realocação para outra área ou mesmo unidade, já que o software mede o desempenho dos participantes para indicar qual pessoa ou equipe é a vendedora. Outro possível BO é que a atividade tenha o efeito oposto do planejado, se o funcionário em questão for pé-frio para joguinhos. Pense só: perder sucessivas vezes pode não só tornar você a pessoa que ninguém quer ter no grupo, mas também causar sentimentos como raiva (quem nunca?) ou ainda mais desânimo pelo trabalho. Os últimos escolhidos em aulas de Educação Física conhecem bem esse sentimento.

Package invaders

Mas fiquem tranquilos, pois esta nota não vai terminar bad vibes. Consultada pelo ‘Washington’, uma porta-voz da Amazon declarou que a firma não monitora os resultados nem penaliza os funcionários que não queiram participar das partidas. E, de acordo com a Fast Company, que visitou um dos centros de distribuição meses atrás, dá para selecionar a opção “single player” e jogar sozinho, o que pode evitar a competição agressiva que esse tipo de disputa é capaz de desencadear. Lendo os relatos, a impressão que fica é de que realmente a iniciativa ajuda pacas e, pelo menos por enquanto, só traz vantagens. E, partindo de uma redação que almoça rapidinho para passar uns minutos jogando no Switch, a gente sabe o quanto uma experiência mais divertida pode contribuir para o trabalho — e, no nosso caso, para as piadinhas.

The Warehouse Games: como a Amazon está usando gamificação nos seus galpões via The Brief