Ameaça Fantasma

Pronto. Estava tudo fluindo melhor para a turma da Snap Inc. Um novo filtro de criança conseguiu o que muita gente julgava impossível: fazer o Snapchat renascer das cinzas. E não é só isso: a companhia liderada por Evan Spiegel andava até acertando nos formatos de publicidade e tudo mais. Daí, veio outra crise. Funcionários do Snapchat teriam abusado do acesso ao banco de dados da empresa para bisbilhotar perfis de usuários. Segundo o Motherboard, que entrevistou dezenas de ex e atuais colaboradores da companhia de Evan Spiegel para fazer uma matéria sobre o tema, os empregados teriam acesso a praticamente todo o histórico de uso de um usuário dentro do app e a infos sensíveis, como número de telefone e endereço de email.

O Rei Espião

Uma das ferramentas usadas para esse tipo de monitoramento invasivo se chama SnapLion, segundo as fontes consultadas pela publicação. Originalmente, a solução era utilizada para que a empresa pudesse responder aos pedidos feitos pelas autoridades em processos. No início, apenas um pequeno grupo de funcionários do time de segurança teria acesso a esse “Law Enforcement Officer” AKA LEO. Mas, o recurso acabou virando carne de vaca no escritório, sendo utilizado pelos times de Anti-spam e abusos e operações de clientes. A gente não precisa lembrar o que aconteceu com Jon Snow da última temporada de GoT para explicar o que acontece quando algo que deveria ser secreto deixa de ser um segredo, não é mesmo?

Dias de um futuro esquecido

O lado menos ruim dessa notícia é que esses acessos foram realizados há alguns anos, quando o SL ainda não tinha uma tecnologia boa o suficiente para monitorar o acesso que os funcionários faziam na plataforma. Traduzindo:  quem espiou, espiou, quem não espiou não espia mais. Atualmente, tanto os funcionários entrevistados de forma anônima como o próprio Snapchat, que foi consultado para dar a sua versão dos fatos, reforçou que vem implementando diversas medidas internas e externas para aumentar a segurança dos dados. Além de reforçar o monitoramento de quem acessa o SnapLion, a companhia da Califórnia instituiu regras de acesso mais rígidas e, desde janeiro deste ano, adotou a criptografia ponta-a-ponta nas mensagens trocadas pelos usuários dentro do app.

O fantasminha não é camarada

Não é a primeira vez que esse tipo de história acontece na indústria de tecnologia. No começo do ano, o Facebook dispensou uma série de funcionários por abusarem do acesso privilegiado a dados para stalkearem, na cara dura, seus ex-relacionamentos. A Uber também teria um “modo divino”, no qual é possível acompanhar em tempo real pessoas usando a plataforma de caronas. A gente entende que pode ser difícil regular alguns comportamentos anti-éticos de funcionários, mas a forma como as gigantes de tecnologia lidam com essas situações de forma para lá de shady. Ou, em outras palavras, que serviço do fantasminha não tem nada de transparente.

A Ameaça Fantasma via The Brief