Highway to records

Brincamos aqui na redação que, caso uns aliens bons de briga invadissem a Terra e fosse necessário apresentar alguma prova de que vale a pena manter a humanidade viva, nós enviaremos músicas. Certeza de que elas salvariam o nosso pescoço: a união de alguns acordes, com ou sem melodia, consegue proezas que não estão gibi. E como o bichinho das canções precisa sempre ser alimentado, mas a nossa criatividade tem limite, é normal recorrer a listas como as da Billboard, que se tornou uma espécie de bússola tanto para ouvintes como para quem é do mercado, já que ela atestaria o sucesso de uma canção — e dinheiros para os envolvidos. Só que, em muitas áreas desse mundão, a internet chegou e fez um belo barulho nesse setor.

Hey Look Ma, I bought it

Uma prática que sempre foi comum no mundo da música americana é o bundle (que em bom português seria algo como “pacotão”), na qual as empresas vendem os álbuns junto com outros produtos, como roupas ou ingressos. Só que essa tática escalou ao estilo “Ai se eu te pego” por conta dos novos tempos. Isso porque, apesar de o streaming ter chegado para ficar no meio da música, as métricas que Billboard e a sua parceria de mensuração Nielsen usam para decidir quem está no topo das paradas dão um peso maior aos álbuns comprados do que às músicas ouvidas por serviços como Spotify e Deezer. Daí as marcas precisaram se virar para convencer as pessoas a continuar comprando.

Look what you made me do

O bundle é utilizado por gente bem famosa, tipo a cantora Taylor Swift. Se você for até a área de e-commerce do site dela, por exemplo, verá que os clientes que comprarem itens como camisetas ou suportes para celular levam também um código para download do seu novo álbum, que será lançado em agosto. Também dá para fazer “bundle” com ingressos de shows, mas esses só contam para a Billboard quando as pessoas resgatam de fato o arquivo. Daí que virou moda — e não é de viola — dos 39 títulos que ficaram em #1 nas tabelas da Billboard, 18 tinham algum tipo de promoção. E é claro que já deu problema.

Boys with luv (and tickets)

O primeiro e mais óbvio xabu é que esse novo item na equação proporciona situações, digamos, curiosas. Após 19 anos sem passar perto do primeiro lugar, o álbum dos Backstreet Boy chegou à posição 1 porque a boy band fez venda casada com os ingressos da sua turnê. Tanto que, 1 semana depois de chegar ao topo, o mesmo título caiu para o 24º lugar. A outra treta é que existem casos de promoções que passam do ponto, como artistas incentivando na cara dura os usuários a comprarem para conseguir uma boa posição na tabela.

Who Do you Listen

E daí a própria Billboard precisa ficar mediando para definir quais promoções são válidas. Sabendo que é só uma questão de tempo até esse B.O. estourar, a própria “Bill” está se movimentando para criar regras mais claras (e rígidas) sobre o uso dos pacotões dentro da estratégia de marketing de cantores e bandas, para não comprometer a credibilidade do seu ranking. Além disso, existe a necessidade de encontrar uma nova fórmula que inclua resultados como views de YouTube e serviços de streaming para refletir os resultados de forma real/oficial. E é bom ela acelerar essa batida: com serviços de streaming montando seus próprios rankings e plataformas de vídeo como YouTube e Twitch, não dá para dizer que o público não tem opção quando quer conhecer um som diferente. É bom a Billboard afinar bem os instrumentos de mensuração para não ser engolida pelo barulho da era do streaming.

Melô do falsiê via The Brief