There’s something about Mary

O Natal chegou, galera. Embrulhado para presente, temos o relatório mais hypado do planeta: o compilado Internet Trends, desenvolvido pela analista Mary Meeker sobre o que será tendência no mundinho conectado da web. Com slides recheados de gráficos e análises, o documento é bastante esperado pelo mercado por apresentar indicadores sobre quais áreas de negócio estarão na mira das big tech — como foi o caso dos softwares de voz apresentados no ano passado, para citar um exemplo. Então, pode repor as bolachinhas, pegar um novo refil de café e se acomodar na cadeira para conferir quais são as apostas de Meeker para os próximos 366 dias.

A whole new Wi-Fi world

O PPT de MM pinta um mundo mais conectado — 51% da população mundial estão online —, mas não necessariamente mais confortável para as marcas online. Acontece que o primeiro desafio dessas grandes companhias é plugar a outra metade do Planeta, uma tarefa para lá de complicada do ponto de vista de infraestrutura. Não ajuda o fato de que houve uma queda nas vendas globais de smartphones, a principal porta de entrada para novos internautas. Todo esse cenário na WWW deve refletir em 1) os primeiros sinais de desaceleração do mercado de e-commerce e 2) um elevado custo de aquisição de clientes, beirando níveis insustentáveis para alguns setores.

Cheios de graça. E data

Para o lado das tendências, um dos dados mais bacanas apresentados no documento aponta como os modelos freemium acabam sendo os responsáveis por gerar não só a maior parte da receita de uma companhia como também por atrair pessoas para os planos pagos: cerca de 60% dos clientes premium do Spotify vieram do modo “de grátis”. Por conta disso, vale muito investir na experiência do usuário nesse formato. E como fazer isso? Com eles, os dados. Empresas que não contam com estruturas capazes de processar as informações dos usuários e gerar insights sobre seu comportamento ficam em desvantagem para melhorar os serviços já existentes ou criar soluções que catapultem seus números.

Imagens e tretas

Outro contexto trazido por Meeker é a onipresença das imagens na comunicação digital. Calma, esse não é o título de uma tese aleatória de mestrado ou coisa assim. A apresentação da analista aposta que esse tipo de conteúdo — usado de maneira extrema, como em montagens — continuará dando dores de cabeça para YouTube, Facebook e outras redes. O desafio para os reguladores é encontrar uma forma de minimizar os maus impactos desses atores por meio da internet. Como reflexo dessa demanda e de alguns vazamentos aqui e ali, a analista também aponta que veremos o crescimento de soluções digitais com seu “foco em privacidade” como selling point. Privado é o novo descolado, diria Meeker.

Olha mãe, tô no report!

A minha, a sua e a nossa América Latina teve lugar cativo nesta edição do report. Vale citarmos primeiramente nossos hermanos do Mercado Libre/Livre, que apareceram na posição 25 entre as 30 empresas de internet com maior valor de mercado. Outro case das terras vizinhas foi o Rappi, que mostrou como o mercado de fullfilment (traduzindo: o serviço de levar coisas aleatórias para as pessoas) está com gás: em menos de 1 ano, o número de pedidos mensais registrados na plataforma praticamente dobrou. Para encerrar, temos o Nubank, carregando o estandarte das fintech que estão sorrindo à toa e no ritmo ragatanga para aumentar a base de clientes, que já passa dos 9 milhões. Agora é ver se o elenco dessa Libertadores versão tech crescerá no ano que vem.

There’s something about Mary via The Brief