Olhando de fora, a gente não dá muita coisa pela DISCO Corporation. Fundada no Japão nos idos anos de 1937, a firma agora é especializada em oferecer insumos para a fabricação de chips. Um trampo, vamos combinar, bem pouco atrativo. E o seu site, que parece ter sido feito no início dos anos 2000, também não chama lá muita atenção. Contrariando as expectativas, a fama da companhia catapultou na últimas semanas por conta de uma reportagem da Bloomberg explicando sua estrutura de gestão. Que pode ser traduzida por: cada um por si.

Criada em 2011, a nova estrutura de gerenciamento tem como base o sistema de recompensas de alguns jogos de videogame em que, para conseguir um item, é preciso investir um número pré-determinado de moedas. Para que esse modelo funcionasse na vida real, a empresa criou uma moeda, chamada ‘Will’, que os empregados utilizam para pagar absolutamente tudo: de uma reserva da sala de reunião, passando por uma consultoria com outra área ou até mesmo um lugar para colocar o guarda-chuva molhado. Por trás desse “toma lá, dá cá”, a firma montou um sistema de compensação que mede quais atividades dão mais resultados e quais podem ser canceladas.

Nesse contexto, cada colaborador trabalha como se fosse dono de sua própria startup, investindo o dinheiro nos projetos que acredita ter o maior potencial e com a parceria apenas das áreas que julga necessárias para a fase atual do seu projeto. Até o momento, essa perspectiva tem dado muito certo para a DISCO. A margem operacional cresceu 10% nos últimos anos, o preço por ações quadruplicou, e seus funcionários fazem parte do grupo que recebe os melhores salários dentro do seu mercado.

Mas nem tudo são flores: diversos funcionários já abandonaram a empresa por não se adequarem a essa cultura de extrema autonomia e busca constante de bônus. Outras companhias, vendo o sucesso da DISCO, a contrataram para tentar aplicar esse padrão — mesmo assim, não deu certo. No final das contas, a lição de hoje apresenta três aprendizados: 1) uma mudança de cultura precisa ser muito bem estruturada para dar certo; 2) ela precisa ter alguma ressonância com o que você já faz (caso contrário, não vai funcionar); e 3) nem tudo que dá certo em uma companhia, mesmo que replicado da mesma forma, vai dar certo em outra. Por isso, é importante que cada marca procure encontrar “o seu jeitinho”. Quando isso dá certo, até as empresas mais quadradonas acabam ganhando destaque.



CEO 24/7: a gestão indepedente (e eficiente) da DISCO Corporation via The Brief