A era da Disney

Não é sempre que isso acontece, mas algumas pessoas (ou empresas) conseguem apontar com precisão um momento importante na vida. No caso da Disney, esse período foi a estreia da franquia Vingadores, lá em 2012. O longa, que arrecadou mais de USD 1,5 bilhão e precedeu outros blockbusters arrasa-quarteirão, provou que a marca fez uma escolha mais do que acertada na compra dos estúdios Marvel, em 2009. E não foi só dessa vez que a dona do Magic Kingdom mostrou tino para os negócios. De lá para cá, o conglomerado se posicionou, com folga, no posto de manda-chuva da indústria do entretenimento.

Para ir além (das compras)

Segure só esta lista: no espaço de 13 anos, a Disney colocou no chapéu:

  • Pixar, em 2006, por USD 7,4 bilhões;
  • Marvel, em 2009, por USD 4 bilhões;
  • Lucasfilm, em 2012, também por USD 4 bilhões;
  • 20th Century Fox, cuja compra foi fechada em março por USD 71, 3 bilhões.

Com uma carteira tão vasta, a empresa comandada por Robert Iger costurou um modelo de negócio em que os títulos criam novas fontes de renda com base em outros produtos da marca. Dois exemplos: 1) a franquia de Star Wars, que iniciou uma nova trilogia e ainda inaugurou um megaparque temático dentro da Disneylândia; e 2) a compra do catálogo da FOX, cujas séries deverão ser usadas para dar um impulso ao Disney+, serviço de streaming da companhia que está para sair. Isso sem mencionar o catálogo de filmes, que bate recorde atrás de recorde.

Rica estou, rica estou

A Disney fechou 2018 conquistando USD 7,3 bilhões no mundo, ficando atrás somente de si mesma, pois arrecadou USD 7,6 bilhões em 2016. Mas é capaz que ela supere esse faturamento ainda neste ano, já que, em junho de 2019 e com 5 filmes lançados, a empresa coletou USD 5,6 bilhões. Resultado de investimento em bons títulos e boas histórias (segundo o Rotten Tomatoes, 78 é a pontuação média de filmes da Disney, contra os 62 da Universal, em segundo lugar). Nesse cenário, em que uma única empresa tem um controle tão grande em uma indústria com poucos players, a pergunta que fica é: como fazer seu trabalho sem se ver no caminho da Big D?

Um mundo (mais ou menos) ideal

A primeira tática apontada por profissionais de cinema que falaram em anonimato para o Buzzfeed, que fez a supermatéria que está embasando este texto, é o lançamento de filmes fora do calendário tradicional. Como a Disney já divulgou as datas de estreia de títulos até 2027, se programando para aproveitar eventos como Natal e férias, a tendência é de que os estudos comecem a trabalhar com meses menos bombados, como janeiro, setembro e outubro. Essas datas eram evitadas em função da crença de que não havia “apelo” para chamar os consumidores ao cinema, mas alguns bons resultados estão fazendo os estúdios reconsiderarem essa premissa. Venom (classificado por esta redação como “o melhor pior filme de 2018”), fez seu début em outubro e faturou respeitáveis USD 855 milhões. 

O Que Eu Quero Mais é Ser Rei (dos causos)

Outra alternativa para as rivais é focar em histórias pelas quais a Disney não se interessa (ou não sabe contar). Ou seja: produções voltadas a uma audiência em geral mais adulta, como John Wick 3 (da Lionsgate) e Nós (da Universal), lançados neste ano. Para muitos dos entrevistados que falaram com o Buzzfeed, investir em novas narrativas é o caminho tanto para essas empresas no curto e no médio prazos quanto para a própria gigante das animações e histórias de heróis. É que, por mais que a firma de Burbank procure se apoiar em narrativas que já fizeram sucesso, em determinado momento a audiência se cansa (beijos, Han Solo). Por enquanto, a Disney permanece com a coroa. Quanto tempo até outra marca, mais bela e com histórias variadas, tomar o seu lugar? Não dá para saber, mas uma certeza temos: vamos estar com o nosso tradicional balde de pipoca na mão para acompanhar.

Rato conquistador via The Brief