Google Assistente AKA Google Ouvinte

Smart speakers levantando sérios questionamentos sobre privacidade não são mais novidade. Mesmo assim, ainda é assombrosa a quantidade de informações coletadas em nome de pequenas conveniências. Nesta semana, a Google foi notícia depois que um funcionário terceirizado na Bélgica vazou mais de mil gravações de conversas com a Google Assistente. Se você tem um aparelho da linha Google Home em casa, é como se suas paredes tivessem ouvidos. Na verdade, mais do que isso, é como se suas paredes tivessem ouvidos e estivessem conectadas a alguns dos servidores mais poderosos do mundo. Tá aí, já bolamos um roteiro melhor do que Transcendence.

Ok, Google: tá na escuta?

Nem todo mundo se liga que tudo o que se fala para o speaker da gigante das buscas é gravado e armazenado. Nem todo mundo se liga que isso está lá, claramente apontado nos termos e condições. Agora, nem todo mundo se liga — porque não está nos termos — no fato de que a gigante de Mountain View retira uma amostra desses áudios para que seu time analise as gravações. Em tese, o objetivo da prática é observar entonação e gestos de fala e fazer com que seu algoritmo responda de forma cada vez mais assertiva aos questionamentos e pedidos que chegam depois do “Ok, Google”. Não, não é o que você fala que interessa ao algoritmo, mas como você fala.

Uma caixinha de surpresas

Em um esforço para guardar a privacidade dos clientes, a Google deleta nomes de usuários e associa os áudios apenas a um número serial. No entanto, como foi comprovado pela reportagem dos pessoal da VRT NWS, o teor de informações capturadas é tão particular que é muito fácil para alguém mal intencionado fazer a “engenharia reversa”. A equipe de reportagem aponta que ouviu endereços e outras informações sensíveis e, em seguida, entrou em contato com alguns desses usuários — ou seja, encontrar essa galera, depois que você tem acesso a esses dados é mamão com açúcar, melzinho na chupeta e qualquer outra expressão para “fácil, fácil” que você queira inserir no lugar. Inclusive, colabore com nosso acervo se tiver alguma legal.

Tem boi na linha, amiguinhos

A grande questão aqui é a privacidade mesmo. Afinal de contas, esses devices não só incentivam um uso constante como se beneficiam disso como negócio. Quanto mais você alimenta esse tipo de produto com seus dados pessoais, melhor ele vai atender. Pense no Google Maps, que funciona de forma muito mais fácil se você marcar lugares como “casa”, “trabalho”, “academia”, “sítio da tia Marocas” e outros. Isso sem falar nas gravações que os smart speakers iniciam por engano. Afinal, qualquer coisa parecida com o tal “Ok, Google” ativa esse recurso. E vale lembrar que essas gravações não intencionais podem conter de tudo, desde momentos íntimos até conversas relacionadas a informações confidenciais corporativas. 

Google Keep (Listening)

A gigante de Mountain View se defende dizendo que seus especialistas em linguagem analisam apenas 0,2% dos fragmentos de áudio capturados. E que eles não são personalizados. Ainda acrescenta que julga crucial esse tipo de trabalho para o futuro do Google Assistente. A gente sugere que a Big G passe até a usar isso de slogan, já que não tem nada de errado rolando. Algo na linha: Google Home — aqui o assistente é você.

OK Google: pare de me espionar via The Brief