Patinecalipse

Quem já leu ao The BRIEF alguma vez nos últimos seis meses também sabe que essa ideia de jogar o patinete elétrico onde quiser após o uso gera lá suas dores de cabeça e polêmicas na selva urbana das grandes cidades. Mas, e se você começar a ganhar dinheiro transportando esses possantes de duas rodas de um canto para o outro? E não estamos falando dos serviços "oficiais", já que algumas empresas inclusive recolhem seus próprios patinetes com a ajuda de carregadores cadastrados para evitar a gastura com governos e outras autoridades. O "reboque de scooters" tá causando um certo auê lá na gringa e é para lá que a gente vai (metaforicamente) para contar a história do serviço ScootScoop.

 

Todo patinete merece o parque

Acontece que foi lá em San Diego (Califórnia), a dupla John Heinkel e Dan Borelli  percebeu que essa coisa de patinete dockless – aqueles que você estaciona onde quiser depois do passeio – incomodava os donos de comércios de áreas com alta concentração de patinetes largados. Com ajuda de seu caminhão plataforma, a dupla passou a rebocar as scooters de Bird, Lime, Uber Lyft e outras para longe de seus empregadores. Sim, ao melhor estilo agente de trânsito. Apesar de não ser nenhuma grande operação, o serviço deixou o império bilionário dos patinetes elétricos mais bolada que canção do Dominó (nota do editor: a referência acima só prova que 1) o finado Dominó foi o BTS brasileiro e 2) estou velho).

 

O império das scooters contra-ataca

Com ajuda do boca a boca, o serviço está crescendo. A dupla diz que já realocou milhares de patinetes nos últimos meses. A cada scooter ~retirada de circulação~ o serviço deixa um ticket de estacionamento, indicando para onde foi o equipamento. Foi quando começaram a surgir os processos: Lime e Bird acusam os caras de sequestrar seus equipamentos – o caso deve ser julgado no começo deste mês. Só que não parou aí. Sabe aquelas pessoas que ganham trocados ajudando a recarregar os patinetes? Algumas delas invadiram um dos locais de armazenamento da ScootScoop em busca dos equipamentos de uma marca específica. O relato de Heinkel e Borelli descreve um comportamento violento dos tais "cúmplices de um resgate".

 

Estou do lado da lei

Como bem notado pelo pessoal do The Verge, é irônico que algumas das companhias que atuavam numa área cinza das regulamentações agora está 100% do lado da lei, inclusive pedindo sua proteção. Enquanto a justiça não decide o caso, o reboque de patinetes segue crescendo e sonha em expandir sua oferta para outras cidades. O ScootScoop também lançou um app para que os donos de comércios possam solicitar a remoção dos patinetes da frente de seus estabelecimentos. "O aplicativo diz claramente que você pode andar em qualquer lugar e deixar em qualquer lugar", comenta Borelli. O "qualquer lugar", no caso, é um pátio.

 

Bora voltar para o BR?

Apesar de não ser um indicativo de coisas que podem acontecer aqui no Brasil, o "causo" californiano pode ser visto como um daqueles momentos (meio curiosos) nos quais inovação, serviços, gambiarras legais e uma pitada de oportunismo colidem. No fim da história, não deve ser surpresa para ninguém que companhias, mesmo as inovadoras, atuam de forma bem tradicional no aspecto "não mexa no que é meu". E olha que a gente nem tá tomando lados, todo mundo tem um interesse próprio nessa história. Mas que é curioso ver um serviço "estacione onde quiser" ter problemas com gente estacionando seus patinetes onde quer, isso é.

 

O curioso caso do reboque de patinetes via The Brief