Na semana passada, o TecMundo foi convidado para realizar a cobertura do Intel Innovation Week, uma feira focada no conceito de inovação em um setor sempre cheio de novidades e lançamentos. Se no primeiro dia o espaço foi mais reservado para que pudéssemos conferir a visão da empresa para o futuro com mais calma, a data seguinte pegou esse clima e virou de cabeça para baixo. Isso porque, no último dia 5, o encontro montado em São Paulo abriu as portas para o público e falou sobre outro assunto importante: as tecnologias de hoje.

Com atividades agendadas para desde bem cedo na manhã até pouco depois do pôr do sol, essa segunda etapa do evento teve início com a palestra de Christopher J. Bruno, vice-presidente corporativo e gerente geral da Intel nas Américas. Bastante carismático, CJ – como prefere ser chamado – deu foco a presença da empresa em soluções de data centers e de computação na nuvem, falando tanto das plataformas responsáveis por agilizar os negócios na web como no hardware que mantém toda essa estrutura funcionando – e tinindo, claro.

Para exemplificar seu ponto, o executivo fez comparações bem livres usando equipamentos da própria companhia, mostrando a diferença entre um conjunto de entrada para servidores, composto de processador Intel Xeon, HD SAS 15K e um adaptador Gigabit simples, e o poderio de um kit de ponta, trazendo um SSD PCIe dedicado e uma placa de rede 40x mais rápida. O resultado, obviamente, é uma vitória de lavada para o último combo, capaz de carregar e transferir 100 GB de dados em menos 1 minuto.

Casos de sucesso de empresas brasileiras também marcaram presença, com Antonio Carlos Pina, CTO da Mandic Cloud Solutions, e Leonardo Santos, CEO da Semantix, dando depoimentos de como a tecnologia da Intel ajudou suas empresas a ganharem mais agilidade e expandirem os negócios em seus respectivos ramos – utilizando produtos mais eficientes e usando e abusando do potencial da Big Data. Os centros de computação paralela instalados em universidades e outras instituições brasileiras também foram motivo de celebração para CJ.

Você conhece, você confia

Dando sequência aos painéis, foi a vez de Anand Srivatsa, diretor de CPU & Platform Product Line Management da Intel, falar sobre uma parcela bastante popular dos negócios da companhia: hardware. O profissional falou de como foi preciso haver uma nova segmentação dos negócios para atender as diversas necessidades do mercado e dos consumidores. A linha de processadores da marca, por exemplo, se desdobrou em itens para desktops, dispositivos híbridos e aparelhos mobile – indo de produtos de entrada até soluções de alto desempenho.

Isso abriu espaço para que ele comentasse sobre dois grandes acertos da empresa neste ano, com o primeiro deles sendo a ampla aceitação da 5ª geração de CPUs Intel Core, que, aparentemente, vendeu três vezes mais que seu irmão mais velho em 2015. Outro grande sucesso, segundo Srivatsa, foi o fato de os processadores da plataforma mobile Atom X3 (Sofia) terem se difundido profundamente no Brasil. A adoção da peça por fabricantes como ASUS, Cubex e Multilaser ligou o nome da Intel a smartphones, para o público.

A surpresa do período, porém, ficou com a popularização bastante rápida dos equipamentos no estilo 2 em 1, que podem ser usados tanto como computadores portáteis como telas interativas completamente funcionais. Os produtos desse gênero foram responsáveis por, praticamente sozinhos, fazerem com que 56% dos consumidores que estava em dúvida entre adquirir um novo tablet ou trocar o PC preferissem, no fim das contas, comprar um gadget híbrido e capaz de realizar tarefas comuns aos dois segmentos.

Apesar disso, o diretor acredita que ainda há espaço para todos os tipos de aparelhos no mercado, com os gabinetes tradicionais ainda sendo muito querido pelos clientes, os all-in-ones trazendo praticidade e design à mesa, os mini PCs crescendo rapidamente e os Compute Sticks chamando atenção pela capacidade de transformar qualquer dispositivo em uma versão mais inteligente. Para o futuro, a aposta nas CPUs de 6ª geração é alta e promissora: em seu lançamento, o i7 6700K Skylake bateu recordes de overclock e performance.

Dispositivos e ferramentas essenciais

David Formisano, diretor de estratégia para o grupo de Internet of Things da Intel, subiu ao palco logo em seguida, introduzindo o debate acerca da Internet das Coisas, um dos assuntos mais badalados do momento. “Parece algo futurista, mas já está acontecendo. Dados podem ser usados para tudo, dados contam histórias”, explicou durante seu discurso inicial. A frase deu o tom da palestra, que mostrou como a IoT pode reduzir custos e agilizar processos, contanto que as pessoas reformulem conceitos e plataformas para se aproveitar dela.

O executivo disse que a introdução de chips Quark e a oferta de aplicações que facilitem a vida do desenvolvedor da área são tão essenciais quanto sistemas operacionais e infraestrutura. Parceiros nacionais da empresa subiram ao palco para exemplificar algumas das utilizações possíveis da tecnologia, com soluções pensadas para mercados bastante variados. Equipamentos conectados, sensores e gateways, por exemplo, podem gerir frotas inteiras de caminhões ou otimizarem consideravelmente o plantio na chamada Smart Agriculture.

O tema se mesclou bastante com o painel seguinte, comandado por Nuno Simões, diretor do Grupo de Software e Serviços da Intel na América Latina. O brasileiro se focou nas inovações iniciadas a partir do software e da importância da área de Software and Services Group (SSG) dentro da companhia. “A Intel se considera um centro de excelência em software”, disparou. O comentário faz bastante sentido se você levar em conta as centenas de milhares de desenvolvedores envolvidos com a Intel aqui no Brasil.

Visando aumentar a usabilidades dos produtos, criar soluções para data centers, elaborar serviços de API e criar uma verdadeira comunidade de devs, a empresa oferece uma série de programas e cursos para o público local. Esse engajamento ainda maior na região não foi uma estratégia arriscada por parte da Gigante da Tecnologia, mas sim uma aposta certeira: essas atividades cresceram dez vezes desde que foram anunciadas, em 2012, e tornaram o Brasil o segundo maior centro de desenvolvimento Intel do mundo.

Adaptação é tudo!

A última das apresentações abertas foi a de David González, diretor-geral da Intel para o Brasil, que passou rapidamente por diversos pontos abordados anteriormente por seus colegas e se dedicou a falar sobre o impacto da inovação no mercado de informática. “Andy Grove costumava dizer que é preciso saber lidar com mudanças bruscas na produção ou nos custos, coisas como dez vezes maiores ou menores”, explicou, citando o CEO da empresa para mostrar por que há um foco tão grande em aproveitar momentos de transformação.

Para González, um exemplo claro da valorização de mudanças de paradigma é o fato de a Intel ter usado muito bem a Lei de Moore ao seu favor, se antecipando às constantes reduções no tamanho dos PCs e das CPUs e tirando proveito disso para oferecer hardwares progressivamente mais eficiente – tanto do ponto de vista do consumidor como da produção. Indo de uma torre que ocupa cerca de 50 mil mililitros de espaço para um Compute Stick que fica apenas na faixa dos 45 mililitros de volume, a progressão fica clara.

Bem-humorado, o executivo colocou água em um pequeno copo, para demonstrar a medida ocupada pelo gadget, e bebeu dizendo: “Esse foi um shot de tecnologia!”. Para complementar todo o tema da importância da inovação, ele exibiu alguns dados no telão e, claro, também trouxe convidados. Entre as menções durante a apresentação, o caso do valor de cada tentativa de perfuração de pré-sal pela Petrobras – US$ 100 milhões (cerca de R$ 377 milhões) – deu a dimensão de como novos recursos podem mudar, e muito, a planilha de gastos.

Representantes da Universidade Estácio de Sá e da WebRadar foram outros dos parceiros a baterem ponto no palco da Innovation Week deste ano. Enquanto o centro educativo demonstrou um sistema altamente customizado, conectado e integrado – desenvolvido sob medida para as necessidades da instituição, a companhia especializada em análise de dados contou como equipamentos instalados em uma parte da frota de táxi paulistana é capaz de gerar 10 milhões de pontos de dados diariamente, cobrindo praticamente toda a cidade.

Conversa franca

Ao fim dos painéis, os executivos se encontraram em um ambiente mais reservado para conversar com a imprensa em uma roundtable breve, mas que deixou mais claro alguns pontos sobre a estratégia da Intel no Brasil e no mundo. Questionados a respeito dessa decisão de abrir ainda mais o leque de produtos da companhia, os profissionais espantaram qualquer receio sobre se há alguma corrida ou desespero em abraçar diversas áreas de uma só vez – e fugir de setores que podem estar em declínio.

“Verticalizar a empresa é um sinal de respeito ao mercado e reconhecimento de que cada local tem as suas próprias necessidades e desafios específicos”, garantiu González, que foi complementado por CJ e um discurso semelhante. “A Intel não está se dividindo, mas sim ampliando seu escopo de negócios, reforçando mercados nos quais já participava – como data centers – e investindo de forma pesada em outras”, concluiu o vice-presidente corporativo, citando como praticamente todas as áreas de atuação da Intel continuam aquecidas.

Quando o assunto rumou para a instabilidade do cenário brasileiro e a proximidade do fim da Lei do Bem, o diretor-geral da empresa no país foi mais ponderado na resposta. Segundo ele, mesmo com os deslizes econômicos atuais, a perspectiva para o Brasil é muito positiva e a Intel pretende dar continuidade aos seus projetos por aqui. “É preciso, sim, ser cauteloso, mas também continuar a investir”, analisou, lembrando do aumento considerável de vendas de CPUs de 5ª geração, tablets com hardware da marca e celulares da linha Zenfone.

A Intel respeita as decisões do governo e acredita que, de qualquer maneira, deve continuar a dar aos consumidores brasileiros a tecnologia mais recente, no tempo certo e pelo preço adequado.

Ainda assim, ele se alongou um pouco mais para explicar se a remoção dos incentivos fiscais teria impacto na renda com os produtos citados. “Há perspectivas de aumento [de preço] dependendo de como for executado o fim da Lei do Bem, mas, ao mesmo tempo, a Intel respeita as decisões do governo e acredita que, de qualquer maneira, deve continuar a dar aos consumidores brasileiros a tecnologia mais recente, no tempo certo e pelo preço adequado”, concluiu González. E aí, curtiu a postura do chefão local da empresa?

Executivos da Intel falam sobre o mercado brasileiro de tecnologia. Comente sobre a feira de informática no Fórum do TecMundo!