Você talvez não conheça Evan Williams, mas certeza que já usou algum dos produtos criados por ele. Com foco no setor de comunicação digital, o @Ev fez parte da equipe que fundou o Blogger, criou o Twitter e agora ocupa o posto de CEO do Medium. Com esse histórico, dá pra sentir que ele apostou pra caramba no potencial que a Comunicação exerce nessa era das internets. Só que, ultimamente, ele vem achando que o caminho que a gente percorreu ao longo dos anos não foi, digamos, assim, o melhor possível.

Algo de errado não está certo na web

Em entrevista para o NY Times, o empresário conta que o objetivo inicial de todos os projetos que ele participou (em especial o Twitter) era dar às pessoas ferramentas para se comunicar. E que todo o serviço seria sustentado por meio de anúncios. Mas, parafraseando o grande pensador Renan, da Towner azul-bebê, ele e os outros fundadores foram inocentes.

Segundo Williams, as empresas demoraram para perceber “o lado negro” dessa história. E as bad vibes não dizem respeito só ao aumento das fake news, mas outras atitudes que também acabam prejudicando o uso bacana da internet. Que, em seus primórdios, era um local que tratava o conhecimento como prioridade. Ele até escreveu um mini-manifesto, apontando quais aspectos ele acha que precisam ser mudados para tornar a web um lugar mais saudável de se conviver.

O que o Manifesto manifesta

Para o executivo, um dos maiores problemas da internet está no formato de remuneração, que paga por métricas de quantitativas (como click, views etc). E esse modelo “envolveu os players em uma competição feroz pela atenção das pessoas”, que acabaram preterindo o conteúdo em favor de formatos de publicidade. Segundo Williams, um dos caminhos que ele acredita que possa reverter a situação é a valorização do conteúdo de qualidade. E que o usuário seja cobrado para consumir essa informação, ao invés de lidar com as várias janelas e anúncios que ficam na tela.

Partindo pra ação

Se munindo da frase clichê-porém-verdadeira que diz “ mudança começa por você”, Williams testou sua tese no único lugar que ele teria liberdade: mudando o modelo de financiamento do Medium. Desde março do ano passado, o serviço cobra uma assinatura mensal de USD 5 dólares por mês como forma de manter o serviço, remunerar os escritores e incentivar produção da plataforma. Não há anúncios - todo a operação seria bancada pelos usuários. Além disso, a seleção das histórias destacadas é feita por serumaninhos, como forma de garantir a qualidade - e evitar artigos click bait ou com conteúdo de ódio.   

Será que decola?

Apesar do serviço ainda não conseguir se pagar, o CEO se mostra bastante otimista com o aumento de quase 50% em receita a cada quarter, no último ano. Segundo ele, este seria um sinal de que muitos usuários estariam voltando dois passos atrás e preferindo consumir menos, porém melhor. Não dá para bater o martelo e dizer que menino Williams está correto ou não, mas não dá para negar que ter uma internet mais paz & amor não faria mal a ninguém.