Pega leve no play

“Ei, champs, talvez seja a hora de fazer uma pausa”. É essa a mensagem que o YouTube vai enviar (ou algo na mesma linha) para os usuários que estiverem exagerando nas maratonas de vídeos. Sim, suas 24 horas de Happy serão interrompidas com uma mensagem para você “pegar leve”. Com o recurso, o YouTube é o primeiro app de streaming a pedir que seus usuários, basicamente, parem de usá-lo. A pergunta que fica é: por quê? Afinal, em teoria, seria ótimo para a plataforma monetizar uma audiência que passa tantas horas na frente da telinha curtindo seus canais favoritos e, no meio tempo, consumindo anúncios. A mudança é claramente uma resposta do Google. A gigante das bucas vem sendo responsabilizada - ao lado de Facebook e cia - pelo crescente vício tecnológico. Por isso, uma das metas para 2018 do povo de Mountain View é promover o uso mais saudável da tecnologia. Em tese, a ideia é ótima, só que a maioria das ferramentas para “uso saudável” são opcionais. Ou seja, o usuário precisa ativar as notificações, por exemplo. Algo que soa como o Google deixando um monte de viciados em açúcar com com a chave de uma despensa cheia de jujubas. E pedindo para eles se comportem. Dá para entender a ironia?

Bom saber: em breve, o YT  também vai ganhar uma central de dados com informações sobre o seu consumo diário de mídia. O perfil deve incluir: tempo médio de visualização diário e algumas opções para gerenciar seus video-hábitos. E, quem sabe, mudá-los para melhor.

Varredura na Symantec (e não é de vírus)

A Symantec soou uma sirene parecida com aquelas de "vírus detectado" no mercado na última sexta. A empresa surpreendeu Wall Street ao informar que está conduzindo uma investigação interna, que vai atrasar a divulgação de seu relatório anual e pode levar a uma possível retificação de ganhos. Tenso, mas nada que não possa piorar. A notícia foi publicada no meio do relatório trimestral. E a empresa foi extremamente evasiva quando analistas perguntaram sobre o assunto. A call chegou a ser encerrada, após a insistência no tópico. O silêncio fez com que o mercado tivesse ideias bem negativas sobre o que teria acontecido com a Symantec. Resultado: as ações da empresa fecharam o dia com uma queda de ~pausa dramática~ 33,10% em seu valor, sendo negociadas a USD 19,52. Uma perda de USD 9,66 por ação. É curioso notar que a empresa de segurança digital "jogava direitinho" nos últimos anos: focou no mercado corporativo, aumentou a base de consumidores finais, fez aquisições e suas ações estavam subindo.  Moral da história: nos computadores e nos negócios, a gente nunca sabe quando um malware vai pegar todo mundo desprevenido.

Harder, Better, Faster, Stronger? (com blockchain)

O HSBC anunciou que realizou a primeira transação financeira usando a tecnologia blockchain. Junto com o banco holandês ING, a instituição disse ter "concluído com sucesso" uma transação para o grupo Cargill. Trata-se de um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para o setor das finanças. Ou, como bem pontuou a Reuters: de um movimento importante no sentido de garantir o aumento da eficiência e a redução de erros quando o assunto é financiament os multimilionários do comércio internacional. É que, para o setor bancário, o uso do blockchain é tido não só como uma oportunidade para diminuir o risco de fraudes nas operações, mas para enxugar a quantidade de etapas necessárias hoje para efetuar transações. Para o HSBC, uma operação como a efetuada entre ING e Cargill pode chegar a substituir as chamadas cartas de crédito, uma das formas mais usadas por importadores e exportadores, muito por conta de sua segurança. O problema é que esse tipo de transação 1) cria uma longa trilha de papel; e 2) leva entre cinco e dez dias para ser fechada. "O que isso significa para as empresas é que as transações de trade finance podem se tornar mais simples, mais rápidas, mais transparentes e mais seguras", diz o comunicado do HSBC. O documento trouxe ainda alguns números: substituir a papelada para o formato eletrônico pode reduzir o tempo necessário para exportar mercadorias em até 44% e os custos, em até 31%.

Se você: ainda não sacou qual é a do blockchain, este é o vídeo que a gente sempre recomenda assistir quando o tema pinta por aqui.

Se você: já manja do assunto, chegou a ver o Guia do Blockchain da Wired?