Num gorjeio só

Depois de chocar investidores e usuários com seu primeiro trimestre positivo ever, o Twitter quer mais. Jack Dorsey usou a boa e velha estratégia de cortar custos, otimizar recursos e investir no certo para deixar no azul as contas do pássaro azul. Boa parte desse sucesso veio de parcerias internacionais e do streaming de eventos ao vivo. Só que, vejam só, a companhia de São Francisco pegou todo mundo de surpresa, ao anunciar que vai dissolver sua divisão de live vídeo e dividir o time entre as equipes de parcerias de conteúdo. Ao que parece a reorganização tem a ver com a estratégia de "ir só na boa" e vai evitar alguns executivos "cantando de galo" no terreiro do moço Dorsey.

Colocando os ovos na melhor cesta

O caso é surpreendente porque o setor de vídeos tem se tornado parte essencial dos negócios da rede social. Durante o Q1 de 2018, esse tipo de conteúdo representou mais da metade dos ganhos com anúncios para o blue bird. A companhia também explicou que a audiência de vídeo quase dobrou no último ano. Com números tão positivo, será que não era a hora de fortalecer o time? Sim, e o Twitter fez exatamente isso, assinando acordos com mais de 30 produtores de peso, do quilate de Walt Disney Co. e NBCUniversal.

A reorganização significa que a empresa vai manter as lives como parte de um catálogo abrangente e não mais no foco de crescimento a longo prazo. Um palpite válido é de que produtos fechados são uma aposta mais segura do que as transmissões. Bom, ao que parece a política de contenção de gastos chegou para ficar na companhia do passarinho. A ideia não gastar energia ciscando em terreno duvidoso. Um exemplo dessa postura é que a companhia retirou seus apps de vídeo de devices como Android TV, Roku e Xbox. Assim, os vídeos do Twitter podem ser visto apenas na Apple TV e Amazon Fire TV. Apesar de ainda duelar com a Roku, a empresa de Jeff Bezos vem crescendo e muito no market share desse tipo de device.

Quebração de galhos

De acordo com Kay Madati, head global de parcerias de conteúdo e responsável pela mudança, a ideia é agilizar todo o processo de aprovação das parcerias e fazer com que cada área conheça mais sobre o sistema em si. Acontece que, no esquema anterior, os times eram organizados de acordo com categorias, como "Notícias", "Esportes" e "Entretenimento". O que fazia com que os funcionários da casa azul soubessem muito de um mercado ou produto específico, mas acabassem perdendo a visão macro da estratégia. E, com os contratos fechados para segmentos que vão de lifestyle à games, uma equipe plural e com conhecimento multidisciplinar acaba sendo mais relevante para a marca. 

Quando um não quer, dois não se bicam

Apesar da reorganização fazer sentido, corre o boato ela virou realidade  após diversas brigas entre as lideranças do Twitter. Parece que, enquanto alguns membros do board acreditam que os ovos de ouro da empresa se encontram no mercado de live streaming, outra parte da galera (CEO incluso) acha mais prudente colocar um pé para trás e bolar outras formas de monetização que deixem a empresa menos dependente da divisão. E pode até ser verdade, já que executivos com menos de um ano de empresa foram demitidos por ficarem sem cargo nessa nova configuração. Mas, até o momento, o mercado não parece muito preocupado: as ações da empresa fecharam o dia com uma valorização de quase 10%.