Quem já passou mais do que 30 minutos empregado sabe que nem só de tarefas  glamourosas se compõe um holerite. Existem demandas que, mesmo tediosas, precisam ser feitas para que a empresa continue funcionando. Essa foi uma lição que a Mozilla Foundation, proprietária do Firefox, teve que relembrar durante 2017.

Entre maio e outubro do ano passado, toda a equipe estava mobilizada no desenvolvimento do Firefox Quantum, o novo navegador que era considerado pela própria marca como sua maior atualização desde 2004.  Para ganhar espaço em um mercado com players bastante consolidados, o time sabia que teria que entregar um produto que conseguisse realizar muito bem duas tarefas: carregar sites rapidamente e funcionar tanto no mobile como no desktop.  E foi aí que começou o problema.

Para deixar o Quantum tinindo, a equipe de desenvolvimento teria que consertar diversos bugs que diminuem a velocidade do navegador. Só que essa é uma tarefa que dev algum gosta de fazer, porque é preciso reescrever pequenas partes do código e isso toma um tempo que poderia ser utilizado em tarefas mais “legais”. Naveed Ihsanullah, engenheiro sênior responsável pela revisão dos códigos, realizou três ações para resolver o problema. A primeira foi passar um pente fino na base de dados utilizada pelos funcionários para reportar os bugs encontrados. Depois, ele criou um comitê para priorizar as falhas e designar as equipes responsáveis por cada ajuste, acompanhando o avanço de cada correção.

Por último, mas não menos importante, Ihsanullah apelou para a boa e velha rivalidade. O engenheiro colocou metas de resolução dos bugs que, se cumpridas, deixariam a nova versão do navegador do panda vermelho em pé de igualdade com o Chrome — benchmark do mercado — no quesito velocidade. E a estratégia deu certo: durante o seu lançamento, em novembro, o navegador recebeu uma porrada de elogios. Em especial, pela sua agilidade no carregamento de páginas. Moral da história: ter em mente o resultado final pode ser bom incentivo na hora de se jogar naquela task mais chatona.