Uma proposta de USD 8 bilhões

Todo mundo sabe que a negociação entre Uber e Softbank não foi um passeio no parque. Em janeiro de 2018, o fundo de investimento se tornou o maior acionista da empresa pela bagatela de USD 8 bilhões. Tudo lindo, a não ser por dois pontos: 1) os caras não precisavam do dinheiro e 2) o Vision Fund definiu o market cap da ride-hailing como bem entendeu, ou seja, com um valor bem menor do que o avaliado pelo mercado. Mas, então, o que levou o jovem Dara Khosrowshahi a aceitar o negócio?

Negociando com o (possível) inimigo

A resposta é curta e grossa. O Softbank tinha ações em todos os outros grandes concorrentes. Estamos falando de Didi, 99, Ola e Grab, dentre outras. É essa a versão dos fatos dada pelo cara responsável por amarrar esse acordão para os japoneses: Rajeev Misra, CEO do VF. O próprio Misra conta que passou seis meses entre idas e vindas até bater o martelo. E as negociações aconteceram num momento para lá de turbulento dentro da car-sharing, com a saída de Travis Kalanick, acusações de assédio e daí para pior.

Quer pagar quanto?

A compra foi feita em duas parcelas: a primeira, de 15% das ações, com base num valuation de USD 48 bilhões. E o grupo ainda participou de um segundo aporte. Ao lado de Sequoia e outros, pagou USD 1,25 bilhão com base num valuation maior: USD 68 bilhões.  Para o homem que “assinou o cheque”, havia outros fundos dispostos a gastar o mesmo. Mas, o investidor aponta que o acordo foi benéfico para a Uber, principalmente para as mudanças internas na governança. “Nós possuímos todas as outras empresas de compartilhamento de carona do mundo. Trouxemos um ecossistema, trouxemos sinergia”, explica Misra.

Um canhão de dinheiros

Já a versão de Khosrowshahi para a mesma história parece um pouco menos otimista. Durante uma reunião com investidores do Goldman Sachs, DK jogou uma real sobre o aporte, dizendo que ele não foi assim tão cheio de sinergia. “Ao invés de encarar o canhão de capital [do Softbank], eu prefiro tê-lo do meu lado”. A frase do CEO revela o sentimento de outros executivos do Vale sobre sua relação com fundos de investimento.

Uma grande família

Fato é: se essa fosse uma partida de War, versão carros compartilhados, o Softbank estaria ganhando de lavada, conquistando mais do que os 24 territórios à escolha. Com a aquisição, o fundo se tornou o verdadeiro “rei” do segmento. Mas, nem tudo foi ruim para nossos amigos da Uber: o grupo japonês está ajudando nos testes da companhia de táxis autônomos na terra do sol nascente e ainda facilitou a união de operações com a Grab - fato que fez a norte-americana fechar no azul seu último quarter. Com a medida, a marca segue a caminho de um IPO bacanudo em 2019. E sem tanto medo da concorrência. Afinal, o bonde das ride-hailings é uma família rica e numerosa agora.

Comentário da Mônica:

Com gente que se estapeia (pela liderança) nos almoços de domingo