Trilha sonora: Highway star

Sol na cara, vento nos cabelos, óculos escuros reluzindo e patinetes acelerando a velocidades, bem, ok. Já faz um tempo que as companhias de e-scooters (como é chamado o brinquedo na gringa) ganham espaço no noticiário. Os veículos elétricos estão por todos os lados na costa oeste dos EUA. Boa parte deles é da Bird. A startup vem ganhando mais do que manchetes e levantou USD 300 milhões em sua rodada mais recente de investimento, batendo um valuation de USD 2 bilhões. Ou seja, a brincadeira é séria.

I want to ride my patinete

O formato desse tipo de transporte é o seguinte: você encontra a scooter mais próxima por GPS, desbloqueia sua "carona" usando um QR code e está livre para cair no mundo. É feita a cobrança de uma taxa de liberação e mais um valor determinado pelo tempo de uso. Quando terminar, é só encostar o brinquedo em qualquer lugar. Alguém aí lembra da experiência de pedir um motorista? Não é para menos, Travis VanderZanden, fundador da Bird, foi executivo das ride hailings Uber e Lyft.


Riding with the kings

Outra coisa que o cara está copiando é o sucesso de sua startup com investidores do Vale. Há cerca de dois meses, a empresa recebeu um aporte de USD 150 milhões e valuation de USD 1 bilhão. E não parou por aí. Segundo o NYTimes, a companhia já estava negociando o dobro de investimento um mês após essa rodada. Com tanto barulho, os patinetes iniciaram uma corrida de investidores. Ninguém quer perder o bonde no que pode ser a próxima grande oportunidade no mundo dos transportes.

Uma volta com pássaros e limão

Operando em cidades como São Francisco e Los Angeles, a Bird lidera a corrida, mas tem uma série de outras concorrentes no segmento, como a Lime. A concorrente também já virou unicórnio: está avaliada em USD 1 bilhão e recebeu uma injeção de capital de USD 70 milhões em fevereiro. A terceira startup nessa briga, a Spin tem números mais modestos, mas chegou por último na disputa das scooters. Analistas apontam que o trio ajuda no deslocamento rápido de grandes cidades e tem dois diferenciais: 1) bom-custo benefício e 2) proposta ecológica que pega bem entre jovens e trabalhadores.

Living after Segway

A comprovação do sucesso é que a startup de VanderZanden já está dando dores de cabeça para as autoridades reguladoras. Sim, deixar scooters jogadas por aí, eventualmente, causar alguns incômodos. Há ainda investidores que duvidam do fenômeno patinete, dizendo que ele é facilmente saturável. O argumento dos céticos para esse tipo de valorização é que as rainhas do patinete estão surfando no medo de alguns investidores de ficarem de fora dessa onda. E o exemplo que essa galera dá é dos segways — patinete bombado, usado por seguranças de shoppings granfinos. O equipamento surgiu com uma proposta promissora, mas acabou virando um acessório de nicho.