O paredão (das taxas) voltou

Com o interesse americano em ajudar a ZTE a escapar da falência e a mudança de foco do Donald Trump para outro país da Ásia (AKA Coreia do Norte), parecia que a briga fiscal EUA vs China havia ficado para trás. Mas, como diz o meme, fomos surpreendidos novamente. Na sexta, o POTUS fez um pronunciamento informando que ainda acredita que a relação comercial entre os dois países é injusta e que começará a aplicar tarifas mais pesadas em produtos vindos da Muralha.

The president is a Trump

A inclusão das taxas já tem data para acontecer: dia 6 de julho. O primeiro passo será impor diversas tarifas em 818 itens importados da China, avaliados em cerca de USD 34 bilhões. Em paralelo, o governo vai criar medidas especiais para outros 284 produtos chineses, com preço total avaliado em USD 16 bilhões. Os americanos querem reduzir um déficit nas relações comerciais com o gigante asiático para USD 200 bilhões até 2020. E Trump já avisou: se o governo de Xi Jinping realizar alguma retaliação tarifária, vai apertar o cinto.

O que é isso, camarada?

O gigante oriental, que não tem medo de briga, avisou que vai bater (fiscalmente falando) com a mesma força, criando tarifas que igualem o valor de USD 50 bilhões que os EUA pretendem abocanhar. Dos 659 itens yankees que estão na mira da China, existem artigos relacionados à agricultura e a indústria automotiva, setores que são peças-chave para a economia dos americanos. Vindo dos caras inventaram o Kung Fu, essa retaliação deveria ser, no mínimo, esperada. Em resumo: camaradagem is over.

Um negociador Trumpalhão

Ao melhor estilo David Luiz, Trump só quer trazer alegria para o seu povo, mas sua política de condução comercial pode virar bela derrota. Uma das principais críticas do manda-chuva americano está relacionada com a transferência de propriedade intelectual praticada pelo governo chinês. Simplificando a história, as companhias norte-americanas precisam dividir parte de suas patentes com suas parceiras locais para entrarem no mercado mais populoso do planeta. Essa troca é injusta com os trabalhadores norte-americanos e dá vantagem competitiva aos chineses, segundo o POTUS. Tem um porém: economistas apontam que as sanções vão atrapalhar as companhias que deveriam ajudar. Isso porque vários dos setores "protegidos" pelas taxas (i.e a indústria tech) utilizam a China como linha de montagem. A Associação dos Fabricantes de Motores e Acessórios, por exemplo, declarou que a medida coloca "empregos em risco e pode impactar negativamente os consumidores".

Faz parte do meu (reality) show

O governo dos EUA afirma que os consumidores podem ficar sossegados, já que TVs, smartphones e outros produtos semelhantes não entraram na lista da discórdia. No entanto, os impactos indiretos podem ser desastrosos: desemprego e desaceleração da economia são os mais comentados. Há ainda a esperança de que as tratativas entre os dois gigantes se resolvam na base da conversa antes de 6 de julho. Fato é que o estilo Trump de negociação tem dois pontos bastante preocupantes: temperamento agressivo e decisões tomadas de improvisos. Em uma semana, ele deixa seus aliados malucos no G7, dias depois troca sorrisos e promessas de paz com o ditador norte-coreano e, antes do fim de semana, resolve taxar produtos chineses. Sim, a política mundial virou um grande episódio de O Aprendiz.