Não é todo mundo que sabe, mas He-Man nasceu boneco, antes de aparecer numa HQ e numa animação para a TV. Tudo começou quando a Kenner colocou no mercado os  bonequinhos de Star Wars, que venderam mais do que pão quente. Daí, não demorou até que os executivos da Mattel sentissem a coceira da inveja e decidissem criar um brinquedo no mesmo estilo. Para isso, recrutaram uma cambada de crianças para descobrir qual seria o brinquedo ideal para a infância dos anos 1980.

Os resultados deram num boneco que era tudo o que os brinquedos não eram até ali: tinha uma altura diferente (nem tão pequeno quanto um Playmobil ou grandão como os Big Jim), tão parrudo quando Arnold Schwarzenegger e, claro, tinha um slogan para lá de legal: “eu tenho a força”. Com o conceito nas mãos, o diretor de marketing da Mattel, Mark Ellis, bateu na porta de  grandes redes para vender a ideia. Uma delas questionou como divulgariam o projeto. “Ah, esqueci de falar, vamos produzir uma história em quadrinhos”, respondeu Ellis, ao melhor estilo improvisation. Outra rede, a Toy "R" Us, levantou que crianças pequenas não leem quadrinhos. “Ah, esqueci de falar, vamos produzir uma animação.”

Foi com base no sucesso do desenho que o brinquedo arrecadou USD 350 milhões, em 1985. Uma estimativa não oficial dá conta de que a marca faturou USD 2 bilhões antes da bolha estourar. Mas, o sucesso fez a coisa desandar: a produção de vilões aleatórios (como um homem abelha) gerou um atraso na entrega dos protagonistas nas lojas. E vamos combinar que não tem a menor graça começar uma coleção sem He-Man, Esqueleto e companhia. A fabricante ainda tentou ressuscitar a marca com um filme terrível e outras ideias, mas não rolou. Nos anos 2000, um nicho abraçou o fortão: colecionadores nostálgicos. Sim, as crianças cresceram e agora podem pagar por bonecos com músculos e tanguinhas mega-detalhados.

Na história de hoje, aprendemos: como o boneco He-Man foi 1) um baita sucesso por criar um nicho que não existia; 2) conquistou a criançada com uma mensagem empoderadora e alguma sorte de seus criadores; 3) sucumbiu ao próprio sucesso com investimento errado e uma logística que não tinha a menor lógica e 4) ressucitou por conta do dos adultos que compram bonecos para colecionar. O bom e velho (no pun intended) efeito nostalgia.

Dica: assista ao episódio que conta a história do brinquedo na série Brinquedos que marcam Época, da Netflix.