Thumbs-down da semana - 28/06

  • A 99 anda com problemas. Seis meses depois de ser adquirida pela chinesa Didi Chuxing e receber o chifre do primeiro unicórnio brasileiro, a ride-hailing vem tendo de lidar 1) com reclamações dos usuários, que acham que o app piorou depois de ser vendido; 2) a debandada de funcionários. A empresa incorporou tecnologia chinesa à sua plataforma, mas, parece que a coisa não tá lá funcionando muito bem. Passageiros e motoristas reclamam de cobranças erradas, falhas no funcionamento do sistema e corridas que nunca chegam. Para manter os seus 14 milhões de usuários, a companhia resolveu apelar para o bom e velho “toma um cupom de desconto” e ver se o pessoal fica feliz. A questão é que app de caronas não é um serviço que possui lá muita fidelidade do usuário. Se o aplicativo que você normalmente usa está ruim, você baixa outro. Simples assim. Ex-programadores da 99 disseram ao Estadão que a equipe de engenharia mapeou mais de mil erros na plataforma, mas que ninguém pôde fazer nada, porque o comando é esperar os devs da Didi corrigirem os problemas. A nova gestão, aliás, é um dos pontos que está fazendo muitos funcionários decidirem sair: numa fuçada do LinkedIn, o jornal contou 50 pessoas que deixaram a companhia desde janeiro. Muitas foram para a Yellow, a nova startup dos fundadores da 99.

  • Logo menos, os psicólogos terão um novo público-alvo de trabalho: os sistemas de inteligência artificial. De acordo com um estudo publicado por pesquisadores da área, a probabilidade de que os algoritmos que utilizam machine learning comecem a imitar a cognição humana cresce à medida em que o processo de raciocínio e estrutura deles se torna mais sofisticado. Basta lembrar da história da Tay, o chatbot construído pela Microsoft, para saber que essa história não é tão futurista assim. O sistema, que era influenciado pelos comentários dos usuários, transformou Tay, que começou o processo como uma educada jovem, em uma psicopata boca-suja em menos de 24 horas após seu nascimento. Nesse passo, a pesquisa sugere que as AIs mais complexas possam desenvolver no futuro doenças como depressão e transtorno de ansiedade (tipo a Samantha, de Her). Tem um lado bom: com as inteligências imitando o comportamento humano, os cientistas poderiam compreender melhor o surgimento de doenças e desenvolver tratamentos mais efetivos. Mas, tendo como histórico o comportamento de assistentes robóticas como e V.I.K.I.,  é difícil ler esse tipo de notícia e não ficar com um pezinho atrás. E comprar uma casa nas montanhas para usar como fuga caso algo dê ruim.

  • Popular entre os endinheirados da Bay Area, a Silicon Valley Community Foundation é uma organização de caridade que ajuda a encontrar o projeto social que contribua para diminuir o problema que a pessoa ou empresa deseje combater. E, como o valor da doação pode ser deduzido do Imposto de Renda gringo, ela se torna uma opção bem atrativa — atualmente, a ‘Silicon’ gerencia USD 13,5 bilhões em ativos. Seria tudo lindo, se ela não fosse adepta da política do “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”. Uma reportagem publicada em abril escancarou problemas sérios dentro da SVCF.  Enquanto nada de irregular foi encontrado dentro do esquema de repasse das doações, muita coisa de errado foi detectada na sua gestão interna. Casos de racismo, assédio (moral e sexual) e bullying foram alguns exemplos dos comportamentos tóxicos que seriam praticados dentro da instituição. Para tirar a prova, um escritório independente foi contratado para analisar as denúncias publicadas. O resultado saiu na quarta e, não só tudo o que foi relatado na reportagem era verdadeiro, como bem conhecido pelas lideranças da SVCF. Emmett Carson, CEO da organização, pediu as contas horas antes do report ser divulgado. De acordo com a fundação, o chefão substituto já contratou uma consultora para modificar a cultura adotada no local.

  • O sonho de criar um avião movido à energia solar foi oficialmente enterrado pelo Facebook. O motivo? Descobriram que não é algo simples de se fazer. Foi em 2014 que a rede social decidiu se engajar no projeto, depois de adquirir a startup Ascenta, que desenvolve drones movidos à energia solar. O primeiro voo aconteceu em 2016 e foi um fracasso épico: a aeronave teve de fazer um pouso forçado, o que resultou até numa investigação do National Transportation Safety Boar. O segundo voo foi um pouco melhor, mas não o suficiente para que a companhia decidisse continuar com a empreitada.