MIOU IPO

A abertura de capital da Xiaomi, que estava sendo aguardada com ansiedade pelo mercado, começou com o pé esquerdo. A empresa comandada por Jun Lei precificou as suas ações a HK$ 17 (cerca de USD 2,15) cada, gerando um valuation estimado em USD 54 bilhões, quase a metade dos USD 100 bi comentados nos primeiros dias após o anúncio do IPO. Existem alguns fatores que ajudam a explicar o tombo acionário. A rixa entre EUA e China, por exemplo, bem provavelmente foi um dos principais motivos para despertar o bichinho da confiança na galera das finanças. Outro ponto que diminuiu a empolgação foi a falta de habilidade da Xiaomi em convencer o mercado de que poderia gerar lucro com outros negócios além da venda de smartphones. Acontece que ela é a fabricante com a menor margem de lucro por dispositivo, faturando cerca de USD 2 a cada unidade vendida. Então, colocar dinheiro em um negócio com pouca perspectiva de aumento de lucro não é bem o sonho de consumo dos investidores. A tech até tentou se vender como uma companhia que comercializa diversas soluções online, mas essa divisão ainda não traz muito dinheiro para o caixa da marca. Como cereja do bolo, a vida da bolsa de Hong Kong, escolhida pela Mi para abrir seu capital, não está no seu melhor momento, apresentando baixas seguidas. Mas nem tudo é tristeza: a venda das ações da Xiaomi, prevista para começar em 9 de julho, ainda tem potencial para deixá-la no ranking dos 20 grupos de Internet mais valiosos do mundo.

United States das Eleições Blindadas

A gente já contou que as autoridades norte-americanas estão em cima das companhias de tecnologia, né? O governo dos EUA quer evitar, de qualquer jeito,  que Putin e seus amigos influenciem as próximas eleições. E a resposta do Vale já começou: o Twitter anunciou uma medida “comigo não morreu” na última semana. A rede social do passarinho vai compartilhar informações sobre anúncios de cunho político na plataforma. Isso significa que o TT vai compartilhar o valor investido, dados de segmentação demográfica e até o número de vezes que os tais tweets patrocinados foram visualizados. De acordo com fontes da Bloomberg, um centro de transparência já era planejado desde o fim do ano passado. Tudo para limpar a barra das eleições de 2016. Nada como uma bela bronca do FBI para fazer as tech entrarem na linha, não é mesmo?

Dilema facial

A Microsoft anunciou nesta semana que implementou melhorias consideráveis no seu sistema de reconhecimento facial. O software, que tinha dificuldades em reconhecer rostos de pessoas de pele negra ou morena, aprimorou em até 20 vezes sua capacidade para distinguir rostos. Mas a notícia não foi lá muito bem-recebida dentro da empresa. É que a companhia conta com o Azure Government, um sistema criado na nuvem que é oferecido para agências governamentais como a ICE (Immigration and Customs Enforcement, envolvida no caso de separação de famílias de imigrantes).  E o recurso de identificação de rostos é um dos principais do sistema, levantando novamente a bola sobre a participação das grandes techs. Assim como ocorreu com a Google, funcionários da Microsoft enviaram uma carta aberta ao CEO, Satya Nadella, afirmando que a marca "deve adotar uma postura ética, colocando crianças e famílias acima do lucro".  Um porta-voz da MS afirmou que o trabalho feito com as agências está mais concentrado em otimizar processos, como envio de mensagens e organização de emails, e que o desenvolvimento da tecnologia tem como principal objetivo diminuir preconceitos. Essa é uma conversa que ainda vai longe.

IA Star

RivetAI é uma companhia criada para facilitar a vida de quem trabalha na indústria cinematográfica, especialmente os responsáveis pela produção e roteirização dos filmes. E como ela faz isso? Utilizando inteligência artificial. Um exemplo: a partir de um roteiro escrito por mãos humanas, o software extrai os elementos-chave de cada cena, como personagens envolvidos, locação e tipos de tomadas que precisarão ser gravadas no local. Com essa divisão, o sistema procura pelos atores, cenários e profissionais que serão necessários para gravar a passagem, solicitando que cada contato envie um orçamento. Ao ter todas as infos, a IA calcula a soma dos custos, discriminando as quantias. Além das tarefas administrativas, o sistema também faz uma análise detalhada dos scripts, mostrando em gráfico a continuidade entre as cenas, traçando a frequência e o tom das interações de vários personagens para criar furos na narrativa ou segmentos externos. Outro recurso é o que analisa roteiros disponíveis em sites como o Script Slug para oferecer estruturas e histórias que já tenham sido testadas e aprovadas no mercado. A solução ainda precisa ser usada com parcimônia (para não corrermos o risco de inundar as salas de cinema com histórias ainda mais parecidas com as que a gente já vê), mas que deve ser bem interessante de vê-la “em ação”, isso deve.