USD 15 bilhões

O valor disponível para investimento do China New Era Technology Fund — uma espécie de resposta estatal chinesa ao japonês Vision Fund, do Softbank. A ideia dos chineses é investir, principalmente, na cena de startups, que está crescendo para os lados de lá. Por falar em VF, o China New Era foi estruturado com ajuda da Centricus, mesma responsável pelo bolsão de investimentos do banco japonês. Só que tem um grande porém aqui: com ajuda de outras big companies locais, o fundo pretende colocar seus ovos em cestas para lá da muralha. Ou seja, investir globalmente em ideias promissoras. É nesse momento em que alguns governantes devem começar a coçar a cabeça e se preocupar, não é mesmo? Afinal, o que será que Trump, o negociador econômico, vai pensar de startups yankees dominadas pelos chinos?

7 em cada 10

Alunos da Universidade de São Paulo (USP) acreditam que o espaço da instituição é machista. Os dados são fruto de uma pesquisa, na qual foram ouvidos 13.377 discentes. Para 64% deles a universidade é racista e pouco mais de 52% declara o âmbito da USP como LGBTfóbico. Os resultados foram apresentados na última semana, pelo Escritório USP Mulheres em pesquisa coordenada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Foram ouvidos alunos de graduação e pós-graduação espalhados pela capital e interior. O levantamento ainda revelou que as restrições financeiras têm impacto na convivência universitária - metade dos ouvidos já deixou de fazer algo que deveria ou gostaria de ter feito na USP por falta de dinheiro. Agora, a expectativa é que a comunidade tenha soluções para tornar a convivência mais saudável por lá, já que a Universidade de São Paulo é uma das mais respeitadas do país por seu papel acadêmico.

404

O código de resposta HTTP para quando um servidor não pode encontrar uma página ou ela não existe mais. E, segundo o pesquisador responsável pelo protocolo TCP/IP, Vint Cerf, a internet corre o risco de virar um grande código 404. Isso porque não existem mecanismos de proteção de conteúdo e memória, especialmente, no ambiente online. O pesquisador participou de um debate na semana passada e fez o alerta: “Nós não curamos nosso conteúdo digital com cuidado bastante e até percebermos isso, não teremos nada dele. Estará perdido, não poderemos ler mais nenhum dos bits”. Para o matemático, o grande problema é que a tecnologia da internet evolui rapidamente e, normalmente, não presta atenção aos formatos do passado. Documentos, aplicativos e mídias sociais podem deixar de ser funcionais em poucos anos e, com isso, inacessíveis no futuro. Quem duvida pode se lembrar das finadas páginas em flash. Ou daquele seu perfil maneiro ex-finado Fotolog, que não pode mais ser acessado. Ou, ainda, seu perfil no Orkut. Ou ainda, suas charges favoritas do HumorTadela. Bem, deu para entender, né? Um apelo: salvem o www.pudim.com.br. Para sempre.

7

O tanto de horas que fizeram a Tesla não atingir sua meta de produzir 5 mil unidades do Model 3, o elétrico econômico da montadora, no segundo quarter. No começo de junho, Elon Musk fez a promessa de que a companhia seria capaz de fabricar cinco mil carros por semana, até a meia noite do dia 1/7. Mas só conseguiu bater o indicador da virada do mês às 5h da manhã. No entanto, o clima foi de vitória. Depois de passar por muitos trancos e barrancos, ter perdido o target da entrega várias vezes e queimado alguns milhões, a Tesla conseguiu chegar às 5 mil unidades por semana. Mesmo que atrasada. Musk até escreveu um e-mail agradecendo à equipe, no qual diz que “a companhia finalmente se tornou uma montadora.” Também teve tuíte com emojis de coração e os dizeres: “7.000 cars 7 days”. O motivo do número 7 é porque a empresa também produziu dois mil dos modelos S e X, que são um pouco mais caros do que o Model 3. É aquela história: quem nunca perdeu um prazo que atire a primeira pedra. Ou: quem nunca perdeu muitos prazos, depois de ter recebido bilhões em investimento, que atire a segunda.



USD 82,50

O quanto você precisaria pagar para ter um pedaço de uma Ferrari 1983. Essa é uma das ofertas da Rally Rd., uma firma de investimento que foge das ações e mira em carros antigos muito bem conservados. Com seu aplicativo, lançado em 2017, permite que investidores comprem partes de veículos de um jeito à la Tinder: basta ir dando swipe para encontrar o que você quer adicionar ao seu portfólio. A menor oferta é de USD 38,80. Já os preços totais dos autos (ou os “market caps”), vão desde USD 77 mil, por um Lotus Esprit 1977, até USD 495 mil por um Jaguar XJ220 1993. Os ativos alternativos, que fogem do comum do mercado (como carros e obras de arte) são um baita filão, que só se tornou possível de explorar graças ao desenvolvimento da tecnologia e uma mudança na legislação americana. Com o JOBs Act, assinado durante o governo Obama, pequenas empresas foram autorizadas a vender assets ao público geral sem precisar entrar na Bolsa de Valores. Assim, a Rally viu um jeito de permitir que amantes dos automóveis pudessem colocar seu dinheiro em antiguidades. Daí você pergunta sobre o crescimento do mercado de old cars e a gente responde  que tudo vai muito bem, obrigada. Segundo a seguradora Hagery, o valor dos bluechips de carros clássicos cresceu 300% na última década.

 

USD 300 mil


O valor que empreendedores podem receber por ano, se toparem se tornar parceiros do novo programa de delivery da Amazon. Tentando aumentar o alcance de suas entregas no território americano, a gigante do e-commerce oferecerá uma série de incentivos para quem quiser começar uma empresa de transporte, com até 40 veículos. Segundo a companhia, não é preciso ter experiência na área, mas, claro, existem alguns requisitos. Primeiro, ter ao menos USD 10 mil para investir no novo business. Segundo, USD 30 mil, no mínimo, guardados no banco. Para encorajar o pessoal, a amazona vai oferecer descontos nos automóveis de sua marca, uniformes, programa de combustível e cobertura de seguro. Quem precisa de correios quando se tem pessoas dispostas a ganhar dinheiro?

40 anos

A idade na qual as pessoas deveriam começar a trabalhar full-time, segundo a diretora do Centro de Longevidade de Stanford. Laura Carstensen defende que nós organizamos a vida de um jeito todo errado e que essa estrutura, de trabalhar por décadas até pararmos abruptamente por volta dos 65 anos, precisa mudar. Deveríamos, segundo ela, criar um modelo no qual as carreiras consigam durar mais, mas que tenham mais interrupções para aprender, se dedicar à família e a toda a nossa vida fora do trampo. “[A maneira como vivemos hoje] não funciona porque falha ao reconhecer outras demandas. Pessoas estão trabalhando horário integral ao mesmo tempo em que estão criando seus filhos. Você nunca tem uma pausa. Você nunca consegue se afastar. Nós vivemos num ritmo insustentável até que, de repente, paramos de uma vez.” Acontece que parar de trabalhar aos 60 e tantos anos não é prático do ponto de vista econômico, com as pessoas vivendo mais do que nunca. Mais importante, se aposentar de uma carreira que deu propósito a uma pessoa durante tanto tempo não é psicologicamente saudável. É o que Carstensen chama de uma “súbita perda de status”. Por fim, a longevidade, aos olhos da diretora, não está no biohacking em busca da imortalidade tão amado no Vale do Silício, mas no rearranjamento da sociedade. Ou seja, vou deixar essa news e ir pescar. Volto semana que vem. Vai, Brasil!