Siga bem, caminhoneiro autônomo

Anthony Levandowski. O nome trás algumas memórias à cabeça: gols do Bayern de Munique, julgamento do mensalão. Mas, calma, num é disso que estamos falando e, sim, de veículos autônomos, o processo da Alphabet contra a Uber e uma briga judicial que daria um filme (de comédia). O pivô de uma das batalhas tech mais polêmicas dos últimos anos está de volta, com uma nova empresa. Ao melhor estilo “não fuja da raia”, AL quer fazer seu comeback dentro da área pela qual ficou famoso: automação de carros. O TechCrunch descobriu que a próxima empreitada de Levan se chama Kache.ai, que desenvolve “uma solução para o próximo nível dos caminhões autônomos na estrada.” Como exatamente? Bem, ainda não se sabe.

Carga (acadêmica) pesada

É importante entender que, antes de todo o drama entre as empresas de tecnologia, Levandowski foi um dos cérebros que conseguiram tirar a ideia de carros autônomos dos muros da academia e trazê-la para a realidade. A história começa em março de 2004, quando a Agência de Defesa dos EUA criou uma competição para encorajar o desenvolvimento da tecnologia dos self-driving cars. Quinze times participaram do Grand Challenge e, embora nenhum tenha conseguido completar o percurso de 142 milhas, atraíram o olhar de empresas sedentas pelo “what’s next” da inovação. Levandowski fazia parte da Equipe Azul, que chamou a atenção por ser a única a apresentar um veículo de duas rodas: uma moto batizada de Ghostrider, que hoje está no Smithsonian National Museum of American History.  

Rally dos techões

Não é de se estranhar que pouco tempo depois, os times que participaram da competição houvessem sido contratados para trabalhar em grandes companhias. Junto com uma dúzia de pessoas, AL deu o pontapé inicial do Google no mercado dos carros autônomos - hoje, a iniciativa se chama Waymo. Foi, inclusive, um dos principais arquitetos a trabalhar no Google Street View. Mas se tornou notório mesmo depois de criar um sistema pioneiro, chamado LiDAR. Trata-se de um mecanismo que emite raios lasers infravermelhos para mapear objetos em 3D. Em outras palavras, é a tecnologia pela qual os veículos conseguem "ver" e que pode garantir a segurança dos passageiros e de todos em volta durante o rolê. Hoje, a maior parte das companhias que trabalha para colocar carros autônomos nas ruas, como Alphabet, Toyota e Uber, tem no LiDAR sua espinha dorsal.

Fretando a concorrência

Daí que, depois de nove anos, Levan sai da Big G. Seu timing foi perfeito. Com a corrida para criar os self driving cars ficando cada vez mais acirrada, as companhias estavam oferecendo todo o tipo de benefícios e salários para contratar gente capacitada. Mas Anthony foi por um caminho diferente: fundou uma empresa de caminhões autônomos, a Otto, e vendeu o negócio para a Uber. O resto é história - que, inclusive, contamos algumas vezes aqui.

Bino, it's a trap

Como deu para ver, o retorno de AL numa companhia que desenvolve caminhões autônomos tem um bocado de deja vu. Por hora, o que dá para dizer é 1) essa história vai gerar um certo rage, tanto de gente da Google, quanto da Uber; 2) vai ser difícil desvincilhar a Kache.ai do passado sombrio de seu fundador, o que pode dificultar aportes e mesmo a confiança de clientes. Seria essa uma história de redenção? A averiguar.