Tem gente lendo seus e-mails

E não é mais só o Google. No ano passado, a turma de Mountain View informou que não iria mais acessar os e-mails enviados pelo Gmail para direcionar publicidade. O que é uma boa notícia e mostra a gigante das buscas preocupada em manter uma relação de confiança com seus usuários. Bem, mais ou menos, já que a privacidade no principal serviço de correio digital do planeta é bem capenga. Segundo essa baita reportagem do WSJ, a gigante das buscas mantém as portas do seu Gmail abertas para centenas de desenvolvedores. Você não leu errado. Sabe quando você usa o e-mail no Google como forma de acessar um serviço ou aplicativo? Bem, aí é que você convida os desenvolvedores de software a varrerem seu inbox por dados relevantes. Afinal, até faz sentido, já que a maioria dos servidores de e-mails são gratuitos, logo, o produto são os usuários. A reportagem traz uma série de exemplos bizarros, do tipo os funcionários da Return Path — empresa de e-mail marketing — vasculhando as pastas de rascunhos para treinar um algoritmo. Permitir que funcionários deem uma olhadinha na caixa de entrada não é segredo no mundo tech e, segundo várias companhias, é algo que está coberto nos termos de uso. No entanto, depois que Markinho™ mostrou o mal que a gestão desastrada de dados pode fazer, talvez seja a hora de cobrar uma postura mais séria da galera do Google com os devs. Ou, será que só escrevendo esse texto no Google Docs alguém lá em Mountain View já está lendo também?

Comparando ofertas

A Naspers colocou uma plaquinha de “Vende-se” no Buscapé. Mais uma vez. A plataforma de comparação de preços está no portfólio do conglomerado sul-africano desde 2009, quando 91% do negócio foi adquirido pela bagatela de USD 342 milhões. Seis anos depois, a N fez a primeira tentativa de passar para a frente sua participação na empresa. Mas todas as ofertas que recebeu ficaram abaixo do valor que pagou originalmente. Então, nada feito. Desta vez, o fundo se preparou melhor: passou o ano passado inteiro reestruturando o Buscapé. Hoje, além do comparador de preços, o site abriga um market place no qual os usuários podem comprar dois milhões de diferentes produtos. E que gera uma fonte extra de receita, já que a companhia recebe uma participação por cada venda fechada em seu site. Ao que tudo indica, a Naspers não quer mais ser dona do site brasileiro porque pretende seguir a ferro e fogo sua estratégia mais recente: colocar dinheiros em startups de finanças, delivery e classificados. Tanto que, em maio, vendeu sua parte no maior e-commerce da Índia, o Flipkart, para o Walmart. Legal lembrar que, em terras brasileiras, a sul-africana tem investimentos na Movile (iFood e PlayKids) e na Creditas.

“This is sooooo last year”

Toda moda passa. E, para ser honesto, no mundo da tecnologia, os modismos vêm e vão muito mais rápido do que nas passarelas. Afinal, a tendência das barbas gigantes segue firme e forte e se usa calça jeans desde que elas foram inventadas. Ok, vamos ao ponto: ano passado, um aplicativo começou a bombar entre os jovens internautas. Chamava-se “to be honest”, uma espécie de Sarahah da geração Z, no qual usuários podiam dizer o que pensavam sobre seus amigos ou colegas sem serem identificados. Lançado em setembro, chegou aos 5 milhões de perfis em apenas um mês. Foi nessa euforia toda que o Facebook decidiu gastar uns trocados (fala-se em cerca de USD 100 milhões) para adquirir a plataforma. Passado menos de um ano, o tbh está na lista de apps que a rede social está desativando por motivos de: pouco uso. Fora ele, o app fitness Move e o de contatos telefônicos Hello também estão dizendo adeus ao FB. Quem já fez uma bela faxina em casa e se livrou de itens que não usava faz tempo (tipo aquele ukulele de plástico que você comprou na praia), vai entender a vibe da empresa. O Facebook está fazendo uma limpa para focar no que realmente importa: deixar de ser uma rede social que dissemina o ódio e afeta eleições. Quer dizer, conectar o mundo. Fato é que, depois de todo o escândalo com a Cambridge Analytica, fazer uma sonda nos apps que rodam na rede social e eliminar alguns que perderam o hype faz todo o sentido. O que não faz sentido é a moda das barbas gigantes durar tanto. Para ser honesto.

23 Wishes

Alguém nos escritórios da startup Wish deve estar comemorando com um mini-campeonato de “arremessos de bola de papel no cesto”. Isso porque a companhia de São Francisco é uma das patrocinadoras do Los Angeles Lakers, nova casa do astro LeBron James, na NBA. Para quem não tá por dentro do esporte (de que planeta você é?), King James é o maior craque da bola laranja na atualidade. O acordo entre a dona do aplicativo de compras e os famoso time envolve o pagamento de uma bolada: algo entre USD 36 e USD 42 milhões. O que, desde o anúncio do novo reforço, virou uma verdadeira pechincha. Para se ter uma ideia, no ano passado, a Goodyear - principal sponsor do ex-time de James - teve um retorno de USD 21 milhões em exposição, de acordo com a GumGum Sports. Não acaba por aí, já que o Lakers é um dos times mais hypados na China, que vem a ser um dos mercados estratégicos da Wish. O curioso é que o negócio, com duração de três anos, foi fechado no ano passado, quando o time estava por baixo na liga. Pensa naquela cesta de três pontos arremessada, meio sem querer, do meio da quadra.