Admirável OS novo

Alguns dos melhores engenheiros da Google estão empenhados num projeto até então guardado a sete chaves dentro dos corredores de Mountain View: o desenvolvimento de um novo Sistema Operacional. Atualmente, a prima mais famosa da Alphabet trabalha com o Android (utilizado em smartphones, tablets, smartwatches e TVs) e com o Chrome OS (para os notebooks e navegador que levam o mesmo nome). A ideia é que o Fuchsia, como está sendo chamado esse software, consiga integrar todas as plataformas e dar ainda mais competitividade para a empresa, que perde para a rival Apple em terrenos como performance e atualizações.  

As limitações do Android

O Fuchsia seria o primeiro projeto de sistema operacional universal a sair dos laboratórios da gigante das buscas. O novo OS precisa resolver alguns dos pontos fracos do robozinho, como as constantes (e fragmentadas) atualizações de segurança e a interação de voz — em franco crescimento no mercado de consumidores. Tem mais: a solução também deve contemplar uma assinatura (visual ou não) que seja flexível o suficiente para abraçar todo o catálogo de produtos oferecidos. A coisa começa a gerar dúvidas aqui, já que estamos falando de software, nuvem, passando por smartphones (da linha Pixel ou não) e notebooks até chegar aos pequenos sensores, home speakers e outros devices de IoT que a empresa está lançando.

Fuchsia quer falar

Um dos pontos que fazem do Fuchsia um dos queridinhos da Big G é o fato de que todo o seu desenvolvimento é voice-oriented. Sim, galera, os comandos vocálicos chegaram para ficar: até 2020, espera-se que 50% de todas as buscas sejam realizadas com o uso das nossas queridas cordas que fazem som. E ter um produto que unifique as plataformas e seja eficiente nessa seara pode ser uma ferramenta-chave para tornar a empresa ainda competitiva no setor — que está se consolidando ao redor de assistentes como a Alexa, da Amazon (atual rainha do setor), e Siri, da Apple (que, mesmo com problemas, tem como ponto forte o seu ecossistema e a paixão dos maçãlovers). Mas não veremos esse pega pra capar corporativo tão cedo: ao que tudo indica, vai demorar um pouco para o F soltar a voz e se colocar para jogo no mercado.

Pendurando os bits

A empresa divulga pequenas partes do código aberto do sistema desde 2016 e está fazendo experimentos com aplicativos para ele. Em um deles, por exemplo, demonstra como interagir com telas do YouTube ou realizar comandos de voz no serviço de vídeos. Para não correr grandes riscos de desagradar geral e perder clientela — estamos falando do Android, presente em 75% dos celulares do planeta —, a empresa vai manter os pés no chão. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a substituição será gradual e só estará “completa” após, pelo menos, cinco anos.

Fuchsia is the new green

Publicamente, a empresa usa o Fuchsia como uma amostra de que está disposta a desenvolver com a comunidade, algo que sempre foi um dos pontos fortes do discurso do Android. Quem dirige esse show é Hiroshi Lockheimer, que responde pelos “produtos-mãe” do Fuchsia: Android e Chrome. Como já era de se imaginar, o jovem Hiroshi se reporta diretamente ao CEO da Big G, Sundar Pichai. É das mãos do indiano que todo mundo espera que chegue um thumbs-up para que a “iniciativa fim do Android” realmente aconteça. Não é para menos, afinal o robozinho verde está presente em dezenas de parceiros de hardware do Google. Sem falar dos bilhões de dólares gastos na compra e venda de aplicativos.

Uma barreira chamada UE

Outra ameaça à existência do “F-OS” atende pelo nome de União Europeia. Além das multas aplicadas em processos antitruste nos meninos e nas meninas de Mountain View, as autoridades do bloco não parecem nem um pouco interessadas em ver uma empresa estendendo seus tentáculos com uma solução única em tantos mercados distintos. Para piorar a situação de Sundar, a UE é um dos lutadores que mais batem forte na briga por privacidade de dados. E, provavelmente, não vai gostar nada de um sistema unificado com acesso a tantas informações de seus honoráveis cidadãos.