Can buy you love

Dinheiro não compra o verdadeiro amor, mas ajuda um bocado. O Tinder que o diga. Segundo as estimativas do Match Group, que é dono do app, a plataforma de paqueras e "muita azaração" deve gerar USD 800 milhões em receita este ano. O número é mais do que o dobro do registrado ano passado e tornará a marca responsável por quase metade da receita de todo o grupo.

All you need is Tinder

Para quem não faz parte do mundo dos namoros digitais, a gente explica o que isso significa: o Match Group é dono também dos sites Par Perfeito, OkCupid, Match.com, Our Time e uma porrada de outras marcas dedicadas ao flerte online. São plataformas em 42 línguas e presentes em mais de 190 países, com o grande objetivo de gerar contatinhos (ou o grande amor da vida, vai saber) para seus usuários. Assim, o Tinder, sozinho, vai ter uma receita equivalente a de todas as outras marcas somadas. Segundo o Recode, o negócio será quase tão grande quanto o Snapchat era em 2017. Sim, antes do FB copiar a rede do fantasminha.

All my loving (and money)

A estratégia de monetização do Tinder começou com o lançamento do Tinder Plus, em 2015. A versão paga permite que os usuários revejam potenciais dates descartados acidentalmente (se você nunca entrou no aplicativo, acredite: é bem fácil "descartar alguém acidentalmente"). Além disso, o Plus também permite que você procure por amor fora do raio geográfico determinado pelo app. Mas foi com o Tinder Gold que o negócio começou a esquentar. Essa versão estreou nos celulares no ano passado e deixa os usuários checarem a lista de pessoas que já deram um like neles, tornando a busca por matchs mais fácil. Para dar uma ideia, depois de uma semana do lançamento do Gold nos EUA, o Tinder se tornou o #1 na lista de aplicativos mais rentáveis na Apple Store.

O sucesso tem sido tamanho que quase metade da receita do Tinder vem das assinaturas. O restante, vem de anúncios que são divulgados na plataforma no mesmo formato de um pretendente, deixando você dar um like e saber mais, ou simplesmente mandar ver com o dedão para a esquerda. No Q2, o número de subscribers bateu os 3,8 milhões, uma alta de 299 mil em relação ao primeiro trimestre e de 1,7 milhão do mesmo período do ano passado para cá.

When I'm Sixty-four

Um fato curioso sobre o Tinder Gold: o preço da assinatura varia, dependendo do usuário. A empresa não divulga quais são os critérios de precificação, mas corre o boato de que tem a ver com a idade. Um teste feito pelo Tecnoblog mostra que os valores podem ir desde R$ 32,90 ou R$ 58,90 para um homem com 21 anos, indo até R$ 134,99 para um que já beira os 30 anos. Mas ninguém conseguiu identificar um padrão, já que tem gente de 23 anos pagando R$ 75,99. Ou seja: WTF.

I've got a feeling...

A teoria de que o preço muda conforme o número de primaveras de um cidadão ficou mais forte depois que a CEO do Match Group, Mandy Ginsberg, falou numa entrevista que "não espera que pessoas mais velhas fiquem no Tinder". O motivo? "Não podemos deixar que o que aconteceu com outras marcas aconteça com a nossa, que é algo como 'ew, meu irmão mais velho usa, meu pai usa, minha mãe usa'". A CEO não disse a quais outras marcas estava se referindo, mas a gente vai chutar que o Facebook poderia ser uma delas. Um dos motivos da aparente rejeição da galera mais nova à rede social (e uma onda que o Snapchat conseguiu surfar muito bem) é o fato de que: mães, pais, tios, tias e avós, todos eles estão no FB.

Match me do

Fora os serviços Premium, uma característica do Tinder que foi bastante responsável pelo sucesso do app é o design. O aplicativo provou que não é preciso ter um site robusto e nem mesmo qualquer orientação humana para fazer um encontro entre duas (ou mais) pessoas acontecer. Além disso, a empresa sacou que os usuários não estão mais no esquema de Meg Ryan e Tom Hanks, no filme Mensagem para Você, dispostos a esperar dias — ou horas — por uma resposta. Melhor partir para o outro perfil. O swipe característico do aplicativo, que faz você gostar ou descartar uma pessoa, aliás, é tema de uma briga cabrera do Match Group contra um concorrente do Tinder chamado Bumble.

Something in the way she moves

Lançado em 2011, o Bumble pertence a Whitney Herd, ex-funcionária do Tinder. Foi criado com o objetivo de dar mais poder às mulheres na busca pelo match perfeito, já que somente elas podem iniciar uma conversa e o par tem um tempo determinado para mandar uma resposta. Fora isso, a plataforma lembra um bocado o Tinder, com o mesmo sistema de match: os usuários passam os cartões dos perfis e o match ocorre quando os dois se curtem mutuamente. Mesmo assim, a plataforma, hoje, acumula 30 milhões de usuários e começa a lançar novas verticais, como uma para negócios (o BumbleBizz) e para amigos (BumbleBFF). Seu valuation está em torno de USD 1 bilhão, enquanto o do Tinder está por volta de USD 3 bi. Como concorrer pelo amor alheio nunca é bom, o Match Group primeiro tentou comprar o Bumble, por USD 450 milhões ano passado. As investidas não deram certo. Então, a solução foi partir para o ataque: processou a empresa em USD 1 bilhão por infração de patentes, por conta do mesmo sistema de match e swipe. Com um detalhe: caso o Bumble aceitasse a oferta de compra, o processinho iria embora. É aquela história, no amor e na guerra vale tudo.