1 frase

O que precisou para Satya Nadella explicar a diferença entre a Microsoft e a Apple e a Amazon. Nesta baita entrevista ao Cnet, o chefão da companhia de Redmond mandou a seguinte: “you join here not to be cool, but to make others cool.” O que o indiano, o cara responsável por toda uma reformulação no jeito MS de ser, quer dizer é: tudo o que importa é o resultado, e não a maneira como você se associa a uma tecnologia legal. A verdade é que lutar contra uma imagem quadradona foi algo que a companhia fez por anos, conforme outras empresas mais legais caíam nas graças do mercado. Durante os anos 2000, foi muitas vezes criticada por colocar lucro acima do cuidado com quem usa e compra seus produtos. Tanto, que quando o Google fez IPO, em 2004, escolheu como mantra a frase “Don’t be evil”, em referência a isso. Nadella conseguiu mudar essa ideia desde que assumiu, há quatro anos. Trabalhou tanto a cultura interna da MS, quanto seu foco. Usando o título da entrevista do Cnet (só porque é um baita título): essa não é a Microsoft que seu pai conheceu.

BTW: em outubro passado, a gente publicou uma história massa sobre como Nadella resolveu um problema envolvendo caixas de leite abertas na Microsoft. O relato é tão massa, que a gente queria copiar e colar de novo aqui, mas, como não dá, aqui vai o link.

USD 7,1 bilhões

O valuation que o Slack alcançou, numa nova rodada de investimentos que rolou essa semana. A dona da plataforma de comunicação corporativa favorita dos startupeiros levantou USD 427 milhões, de fundos como Dragoneer Investment Group e General Atlantic. O destino da grana: expansão. E disso o Slack entende bem. Dois anos depois de sua fundação, em 2009, o negócio crescia numa toada impressionante: registrava USD 1 milhão em contratos, a cada 11 dias, com dezenas de milhares de novos usuários se registrando toda semana. A coisa chegou ao ponto do investidor Mark Andreessen publicar um gráfico desse crescimento sky-rocketing no Twitter, dizendo: “eu nunca vi um app decolar desse jeito antes - tudo no boca a boca” - o que, obviamente, devido à influência do autor do post, só fez a coisa decolar ainda mais. De lá para cá, a plataforma acumula bons números. Possui oito milhões de usuários ativos por dia, sendo que três milhões pagam pelo serviço. A história é ainda mais impressionante por dois pontos. O primeiro é que, durante anos, uma porção de startups big techs tentaram dominar o mundo da comunicação corporativa. Mas, como bem disse o TechCrunch, o “Slack parece ter sido a plataforma certa, no momento certo.” Foi uma mistura entre a interface fácil e a possibilidade de integrar praticamente qualquer outra peça de software que você usa na firma nas conversas que tornou o Slack forte o suficiente para bater, por exemplo, a Microsoft e a sua plataforma Teams. Outro ponto legal, que talvez você já saiba, é que o negócio foi fundado por Stewart Butterfield, que também criou o Flickr. O raio do hype pode, sim, cair duas vezes no mesmo lugar.

Entre 10 e 20 segundos

A duração dos vídeos promocionais que a Netflix está colocando no meio da sua maratona de Vikings. A série está servindo como uma espécie de laboratório para a companhia de streaming ver a reação do público a pequenos anúncios, que podem ser pulados e aparecem entre o fim de um episódio e começo de outro. Não se trata, porém, da divulgação de nenhum produto, mas dos próprios shows da plataforma. Mas foi o suficiente para que os assinantes gastassem banda de internet para reclamar no Twitter. O principal motivo das queixas, como alguns deles escreveram, é que um bocado de gente paga pela Netflix para justamente não precisar assistir a comerciais. A companhia de Los Gatos, então, mandou avisar que “calma, gente, só queríamos testar uma coisinha com alguns usuários” e que não se tratam de comerciais, mas de “promo-videos”. A gente não sabe qual a diferença entre esses dois, mas tudo bem. A empresa falou ainda que não está exibindo sugestões randômicas para os espectadores e, sim, recomendações que faria para eles, com base no que assistem. Fato é que a Netflix vive fazendo testes de novas ferramentas. Um deles, inclusive, foi para a feature de passar o mouse por cima da imagem de um filme ou série na página inicial e conseguir assistir a um preview dele. Foram anos vendo se o negócio rolava legal mesmo, até torná-lo permanente. Agora é ver se os anúncios vão ser bem aceitos, principalmente entre quem gosta de um bom binge watching. Particularmente, a gente não vê muito drama neles. A única coisa que tem deixado a gente boladão é esperar pela quinta temporada de Vikings. Com comerciais ou não.  

USD 2,1 bilhões

O lucro anunciado pela Xiaomi em seu primeiro quarter desde que se tornou uma empresa pública. A fabricante de smartphones chinesa foi listada na Bolsa de Hong Kong no mês passado e um IPO de USD 4,7 bilhões. Os números positivos foram garantidos por conta de um crescimento de 68% na arrecadação durante o Q2 de 2018. E os smartphones seguem sendo as estrelas da companhia: a divisão entregou 2 milhões de unidades ou 44% de aumento em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o relatório, os espertofones representam 67% da arrecadação da fabricante. Durante o trimestre, a empresa ainda reportou perdas operacionais grandes: USD 1,1 bilhão. Custos que já haviam sido anunciados antes do tal IPO. Com os resultados, o mercado respondeu bem: as ações da Mi subiram 1,61%. Outra boa notícia é que a marca está conseguindo diminuir sua dependência do mercado interno. O relatório aponta que 36% das receitas vieram de fora da China — melhoria de 151% na relação ano a ano. Quem apimenta esses números é o mercado indiano, onde os smarts baratinhos cabem como uma luva. Ou, melhor, como um bom prato de samosa.

350 mil

A quantidade de novos itens que você pode encontrar nas recém-lançadas lojas de moda e esporte do marketplace da Amazon no Brasil. Foi ontem que a companhia contou que ia colocar o pezinho no setor de vestuário em sua operação no BR. No catálogo fashion, vão entrar marcas como Farm, Reinaldo Lourenço, Levi’s, Gloria Coelho e Reserva. Já o esportivo terá Caloi, Penalty, Fila, entre outras. A seleção de marcas para figurar em suas páginas, inclusive, é um tanto curiosa. Nos EUA, a amazona não é exatamente conhecida por vender peças voltadas para a alta renda - a gente até falou sobre o assunto essa semana. Mas parece que a coisa vai funcionar diferente por aqui. Vale dizer que esse movimento fashion é a última expansão da gigante americana em terras verde-e-amarelas. No final do ano passado, a empresa começou a comercializar eletrônicos em seu marketplace, fazendo com que as ações de algumas concorrentes nacionais (leia Via Varejo, B2W e Magazine Luiza) caíssem bonito na época. É que, até então, ninguém entendia o plano da Amazon para o país. A companhia de Seattle desembarcou por esses lados em 2012 e passou anos vendendo somente livros digitais e seu e-reader, Kindle. O gigante acordou mesmo, aparentemente. E não, ninguém está falando da pátria amada aqui.