Thumbs-down da semana

  • O bicho está pegando para o lado de Google Play e App Store, as duas principais lojas de aplicativos do mundo ocidental. Desenvolvedores e empresas que trabalham no setor estão se reunindo num movimento que busca criticar as plataformas pelo seu sistema  de “hospedagem”. Atualmente, tanto Apple como Google ficam com um percentual médio de 30% do valor pago pelo usuário ao dono do app, tanto no momento da aquisição (caso ele seja pago) como nas compras in-apps, que são aquelas vidas extras e outros itens que podem ser adquiridas no Candy Crush. E esse negócio dá um belo dinheiro para a dupla. De acordo com analistas consultados pela Bloomberg, a estimativa é que, em 2020, esse arranjo gere mais de USD 50 bilhões para cada. Como argumento para manter o preço, a quase dupla de rap Grande Maçã & Big G ressalta o custo de manutenção e a relevância de seus ecossistemas. O valor seria destinado para a filtragem do conteúdo que entra na loja, dando mais segurança para que a sua tia Mirthes baixe joguinhos sem o risco de destruir seu aparelho com um malware oculto, como para que os desenvolvedores e empresas não precisem estruturar plataformas de pagamento para atender ao público, já que ambas fazem esse trabalho. Só que, para a outra ponta, parece que o negócio não está mais sendo tão vantajoso. E tem gente de importância se movendo para fugir do duopólio. O exemplo mais famoso é o da Epic Games, que preferiu não lançar a versão Android do bombadíssimo Fortnite no Google Play, alegando exatamente o preço salgado. E até mesmo a Netflix busca maneiras de incentivar os usuários a se inscrevem diretamente no seu site, como forma de diminuir a dependência que tem das parcerias com as vizinhas do Vale. Claro que, na atual situação, só quem é cachorro grande pode se dar ao luxo de optar por sair desses ambientes. Mas parece que a paz que essas lojinhas tiveram durante anos está começando a acabar.

  • O departamento de Bombeiros do Condado de Santa Clara, na Califórnia, está processando a Verizon por reduzir de forma severa o fornecimento de banda para a sua central, interferindo no trabalho de prevenção a incêndios. A região está sofrendo com o maior incêndio florestal registrado em sua história, que já queimou uma área equivalente de mais de 1,6 milhão de metros quadrados. Para conter o avanço do fogo, o órgão montou um sistema que se apoia na conexão com a internet para monitorar área e avisar, no caso de um princípio de incêndio. Diariamente, o departamento utiliza entre cinco e 10 gigabytes entre o envio e recebimento de dados relacionados a esse trabalho de fiscalização. A queixa da equipe é que, durante o pior momento do incêndio até agora, a Verizon começou a limitar a quantidade de conexão que a equipe tinha disponível. Isso, apesar da instituição fazer parte da lista de prédios governamentais que possuem um pacote “ilimitado” de internet. De acordo com os depoimentos no processo, a velocidade da internet atingiu tal ponto de lerdeza que até enviar um email ou atualizar um documento no Google Drive era uma tarefa “quase impossível”. Os bombeiros estavam trabalhando junto com a operadora para resolver a questão, mas a Verizon só aumentou o fluxo de dados quando a corporação aceitou pagar mais pelo serviço. Enquanto isso, os bombeiros tiveram de usar seus próprios pacotes de dados para que o sistema não caísse completamente. A telecom reconheceu o vacilo e disse que está tomando medidas para evitá-lo no futuro. É meio clichê dizer que isso queimou pra caramba o filme da Verizon? Sim, é. Mas que queimou, queimou.