USD 10 bilhões

A quantidade de dinheiro que o Google deixou na mesa ao anunciar sua desistência do projeto de criação de arquitetura de nuvem para o Pentágono na semana passada. A decisão foi tomada depois de muita reclamação por parte de seus colaboradores sobre a colaboração da empresa com projetos militares. De acordo com o pessoal de Mountain View, a participação no projeto JEDI (Joint Enterprise Defense Infrastructure) iria contra os princípios éticos estabelecidos por sua direção para os usos de inteligência artificial. A decisão pode ser considerada uma vitória dos googlers, que também fizeram oposição ao contrato que a gigante tecnológica tem para fornecimento de IA para sistemas de reconhecimento facial embarcados em drones. Os protestos ainda fizeram o CEO, Sundar Pichai, posicionar uma série de princípios que o Google irá seguir para que o desenvolvimento tecnológico seja “socialmente benéfico”. Esse é um momento bastante controverso para as companhias do segmento, já que ter o exército dos EUA como cliente é um baita up financeiro. Por outro lado, há uma tensão crescente da força de trabalho de big techs, como: Microsoft, Google e Salesforce, por conta desses compromissos militares. Ao que tudo indica, os USD 10 bilhões do contrato JEDI vão cair no cofre de outra gigante da nuvem: a Amazon. Não que Jeff Bezos esteja precisando, não é mesmo?

USD 22 bilhões

O market value que o SoftBank perdeu em menos de um mês. Só para dar uma ideia do baque: entre janeiro e o final de setembro, os papéis do grupo atingiram uma valorização de 29%. Aí a coisa passou a degringolar. Tudo começou quando o portfólio de companhias tech pelo mundo foi afetado pela briga comercial Trump x China. E, como você sabe, o conglomerado japonês é dono do Vision Fund, que investe em algumas das marcas mais quentes do segmento, como Uber, Didi Chuxing e WeWork. Para piorar a situação, um jornalista saudita desapareceu após uma visita ao consulado da Arábia Saudita, na Turquia, semana passada. Mas, espere, o que uma coisa tem a ver com a outra? Bom, acontece que o reino é o principal investidor do Vision Fund. Colocou USD 45 bi dos USD 100 bi disponíveis no fundo. Daí que o sumiço de Jamal Khashoggi gerou uma controvérsia no mundo todo e a possibilidade de uma retaliação norte-americana à nação petroleira já deixou o mercado apreensivo. As autoridades locais afirmam que não tiveram qualquer envolvimento no caso. Só que o estrago já estava feito para o SoftBank. De acordo com o analista Makoto Kikuchi, do Myojo Asset Management, a queda no valor dos papéis é “mais psicológica do que relacionada a preocupações com o futuro”. Outra reação à polêmica foi o cancelamento da participação de vários nomes do próprio SoftBank na conferência Future Investment Initiative (apelidada de “Davos in the Desert”), que trata de oportunidades de investimento no mundo árabe. Fora executivos do conglomerado japonês, outras celebridades do mundo business/tech também cancelaram a visita ao fórum. Entre eles: os CEOs de JPMorgan, Uber e Viacom.

680 mil

O número de pessoas que correm o risco de perder o emprego, caso os credores da Sears decidam pela liquidação do negócio. Ontem, a rede americana entrou com o pedido de uma espécie de recuperação judicial para evitar a falência. Recorreu (paywall) ao artigo 11 da lei de falências dos EUA, que permite que a empresa siga operando, enquanto tenta se reestruturar, sem a pressão da galera para quem está devendo dinheiro. Agora, é preciso convencer Whirlpool (a quem a Sears deve USD 23 milhões), Frigidaire (a quem deve USD 19 milhões) entre outros a não jogar seus 125 anos de história na lixeira. A doença que levou a Sears a acumular USD 11 bilhões em dívidas e ver mais de 140 de suas lojas deixarem de ser rentáveis atende pelo nome de concorrência. Veja bem, a companhia já foi a líder no varejo dos EUA. A sofrência começou por volta das décadas de 1970 e 1980, quando teve de competir com Walmart e Costco e suas estratégias low price. Depois, veio o e-commerce, no qual, digamos, não mandou lá muito bem. E é por conta de todo esse tempo na luta para voltar a figurar entre as rainhas do retail que muitos credores e investidores acreditam que o caminho da liquidação será inevitável. A empresa queima cerca USD 125 milhões por mês e, nas últimas semanas, 200 fornecedores pararam de enviar mercadoria às lojas. O problema recai sobre os ombros do bilionário Eddie Lampert que, lá no ido ano de 2005, resolveu comprar o negócio por USD 11 bi. Prometeu, na época, fazer com que a Sears voltasse aos seus dias de glória e, saca só, ele realmente apostou que conseguiria: se tornou o maior acionista da rede e pegou um bocado de dinheiro emprestado. Só que não rolou muito né.

2016

O ano de lançamento de Your Name, uma animação japonesa extremamente hypada no mundo todo. E que ganhou um novo fã no fim de semana: Elon Musk. O bilionário tuitou um link com o trailer do longa na madrugada de sábado para domingo. E não parou por aí. Algumas horas depois, ele mostrou que é um otaku real-oficial e postou “está na hora de criar um mecha”. Um rápido glossário para quem não tem a mínima ideia do que é “otaku” ou “mecha”. Otaku é uma palavra em japonês para descrever um fã fervoroso de alguma coisa. Aqui, no ocidente, virou sinônimo dos fãs da cultura nipônica — principalmente, dos animes. Já um mecha é um robô gigante, igual aqueles que a gente via nos seriados do tipo Changeman e Jaspion ou em desenhos das franquias Gundam, Patlabor, Evangelion e por aí vai. Na ficção made in Japão, esses equipamentos são utilizados para guerra ou para derrotar monstros gigantes. A gente também se lembra de que a The Boring Company surgiu de uma dessas piadas da madruga (boladona) de Elinho. E a companhia virou uma subsidiária da SpaceX, vende lança-chamas e é a responsável pela construção de um túnel subterrâneo para aliviar o trânsito de Chicago. Ou seja, não se surpreenda se robôs gigantes ganharem as manchetes de tecnologia nos próximos meses.

Um número desconhecido

De destinatários recebeu um convite da embaixada dos EUA na Austrália para uma festa do pijama. Real. A mensagem tinha como assunto a palavra “meeting” (algo como reunião, em tradução livre) e continha a foto (veja a foto) de um gato fazendo cosplay de Cookie Monster, com um prato de biscoitos entre as patas. Sim, uma overdose de fofura. Pena que as autoridades norte-americanas desfizeram os planos de muita gente, momentos depois, ao emitir um comunicado pedindo perdão pelo vacilo. Segundo os diplomatas yankees, “festas de pijama estão fora da área de expertise” da embaixada. A explicação técnica para a gafe é que um “colaborador novo” testava a plataforma de newsletters e acabou enviando o convite por engano. A gente entende e, no final, o caso virou só uma grande piada mesmo. Been there, done that.

50 milhões

O número de canções no catálogo do Apple Music. Apesar de ser o serviço de streaming nativo do iPhone, o aplicativo ainda precisa afinar o tom para alcançar o Spotify — e seus 100 milhões de usuários (sendo que 83 milhões pagam pela assinatura). Ao que parece, a gigante de Cupertino vai encurtar essa distância na base do machine learning. Sua última aquisição foi a startup de análise de dados musicais Asaii. Grosso modo, o algoritmo da empresa acompanha os históricos de artistas e canções para prever quem vai estar bombando nos próximos meses. E, quem sabe, encontrar “o próximo Justin Bieber” (blé). A curadoria, inclusive, é um dos pontos fortes da SPOT, que confia em um time humano para manter a música rolando nos fones de seus assinantes. A grande Maçã não comentou a aquisição, mas um dos fundadores da Asaii já atualizou sua job description no LinkedIn. Portanto, parece legítimo. Lembrando aqui que, no mês passado, a Apple finalizou a compra do Shazam, aquele app que utiliza IA para identificar músicas. Ainda não está claro como Tim Cook & sua banda vão incorporar as comprinhas recentes no Apple Music. No entanto, é fato que o serviço vai precisar de todas as participações especiais possíveis para bater a concorrência. A última atualização da mãe do iPod apontava que o serviço de streaming musical tinha 50 milhões de usuários totais. Ou seja, metade do número de fãs da concorrente made in Suécia. Ao que parece a Apple cansou de Despacito e mudou sua playlist para Eye of the Tiger.