O IPO pede carona

É oficial: a Lyft largou na frente da Uber na corrida pelo IPO. De acordo com o noticiário da última semana — aquele período em que grande parte dos brasileiros estava sem condições para “fazer o quatro” ou debater negócios — a ride-haling apresentou seus documentos para a SEC e vai estrear suas ações na Nasdaq entre a última semana de março e a primeira semana de abril. A operação deve ser liderada pelos bancos JP Morgan Chase, Credit Suisse e Jefferies Financial Group. A companhia de São Francisco espera um valuation próximo dos USD 26 bilhões. E olha que esse nem é o número mais surpreendente trazido pela papelada.

Emergência 911 (milhões)

Acontece que o relatório traz uma série de detalhes interessantes sobre o custo de manter um negócio desse tipo na pista. E de competir com a marca liderada por Dara Khosrowshahi. Por exemplo: a Lyft teve um prejuízo líquido de USD 911 milhões em 2018. Sim, os caras queimaram quase (holy cow!) um bilhão de dólares em questão de 12 meses. Nem bêbados a gente consegue gastar esse tanto de dinheiro. “Temos uma história de perdas e talvez não sejamos capazes de alcançar ou manter lucratividade no futuro”, afirma um dos documentos apresentados pela empresa. Isso porque o app pretende expandir sua área de operação e ainda se aventurar em campos como o de bikes/scooters e carros autônomos.

Face-LYFT

Mas, ok, ninguém acha que uma empresa avaliada (paywall) em USD 26 bi sem fazer algumas coisas certo, não é mesmo? E o bright side da hide-railing foi sua arrecadação de de USD 2,2 bilhões no mesmo período. O significa que o negócio tem sim suas chances de dar bom no futuro. Até o fim do ano passado, a companhia registrava 30,7 milhões de usuários e 1,9 milhão de motoristas cadastrados. Com tanta gente precisando de uma carona, todo mundo sabe que a vida dos motoras é a maior correria. Para agradar os drivers mais ponta firme, que a ex-startup (sacou, sacou?) vai distribuir alguns bônus de USD 1 mil até USD 10 mil para que parte dessa turma vire acionista da LYFT — código de identificação da marca na bolsa.

Viagem compartilhada

Não é de hoje que paira uma dúvida sobre o modelo de negócios das empresas de compartilhamento de rolês. Isso acontece porque tanto Uber quanto Lyft e semelhantes gastam uma verdadeira fortuna para conquistar motoristas e usuários. O motivo é simples: o usuário pega carona com qualquer app desde que seja mais barato. Já os motoristas usam mais de uma plataforma, dependendo de incentivos. Sem contar o investimento constante para operar frotas de bikes/patinetes elétricos ou para brincar no mundo dos carros autônomos. Com suas atividades concentradas nos EUA e no Canadá, a marca vai ter que se contentar com um honroso segundo lugar nesse mercado. Isso porque, com o perdão do trocadilho, tudo é mais ~uber~ na concorrente. Para se ter uma ideia da diferença de escalas, os comandados de Khosrowshahi esperam um valuation a partir de USD 75 bilhões na abertura de capital. Outros valores que acompanham a tendência: a Big U perdeu USD 842 milhões no último trimestre de 2018 — e arrecadou USD 3 bi.

It's like you're always stuck in second gear

Sabendo que não dava para derrubar o gigante, a Lyft focou em ser a opção mais simpática para ganhar a atenção de geral. Por isso, chegar antes na bolsa pode significar que suas stocks não vão bater de frente com os papéis da rival de cara. Mas, também garante a ride pegue uma carona no hype. Mas, a dúvida que fica é: será que esse modelo se paga em algum momento? Tá aí uma baita ideia para trocar com seu motora da próxima vez que você estiver voltando da balada.