Fake meat, real money

“No one knows what it’s like, to be the bad man, to be the sad man”. Reza a lenda que, originalmente, a canção do The Who descrevia o sentimento de um vegetariano em um churrasco. Relegado ao pãozinho com vinagrete — e olhe lá. Como vocês devem ter sacado, a nossa digressão inicial é composta do mais puro fake news. Assim como o alimento produzido pela Beyond Meat é recheado da mais pura fake meat. Mas, se depender do mercado, as iguarias da BM vão popular as churrasqueiras de geral, muito em breve. A startup quer levantar USD 184 milhões em seu IPO, alcançando um valuation de USD 1,21 bilhão. Sim, carne de mentira é coisa séria.

Acompanha dólares nesse IPO?

Mas o sucesso da Beyond Meat vai além dos posts engajados no Instagram e daquele startupeiro hipster no LinkedIn. Fundada em 2009, a empresa da Califórnia conta com mais de 30 mil pontos de distribuição, incluindo mercados (Whole Foods e Kroger) e pratos em restaurantes como o TGI Friday. Em 2018, a empresa teve uma arrecadação de USD 87,9 e perdas na casa dos USD 29,9 milhões. Se você acha que falta ingrediente nessa receita, os caras tem investimento de Leonardo DiCaprio e do próprio Bill Gates. Com a grana extra, a empresa quer expandir suas áreas de pesquisa, desenvolvimento e marketing. Apesar de ainda não lucrar, a BYND parece bem apetitosa para investidores.

Mas que Lanche Feliz

O negócio é que o mercado de carnes falsiê está bombando nos EUA. De acordo com uma pesquisa da Nielsen, 39% dos americanos buscavam substituir a boa e velha proteína de fonte animal por alimentos feitos a base de plantas. E, de preferência, com aquele inconfundível toque carnívoro. E olha que essa pesquisa é de 2017. De lá pra cá, o afã por esse tipo de produto só cresceu e quem se aventurou no setor viu os negócios esquentarem mais do que chapa de hamburgueria. Um exemplo vem da rival Impossible Foods, que fez uma zoeira reversa no 1º de abril e uniu forças com o Burger King para uma edição especial da sua carne que não é, mas parece ser.

A carne é fraca?

Assim como não existe uma forma de colocar uma quantidade absurda de cheddar, bacon, alface e tomate e comer esse lanche sem perder a dignidade, a BM tem lá seus desafios. O principal deles é que a expansão da marca californiana — e seu futuro financeiro — dependem de ingredientes que são comprados, atualmente, de um número bastante limitado de fabricantes. Aqui, vale lembrar que os ingredientes são responsáveis por um dos pontos sensíveis da empresa: oferecer o sabor da carne sem, er… Carne.

Fast-infos

Assim como a Impossible, a BYND anunciou em janeiro uma parceria para colocar seu produto com base vegetal na rede de fast-food Carl’s Jr. O combo parece promissor. Ah, mas, antes de  partir, temos dois comentários vindos dos nossos insiders. O primeiro vem do grão-mestre da maçonaria vegana, vulgarmente conhecido por Renan Hamann. RH dá fé de que esse hambúrguer é “mais gostoso que abraçar um cachorro felpudo”. Já o segundo comentário vem do sommelier de lanches, Felipe Payão, que testemunhou a disponibilidade desses “nãoburgueres” em mercados pelo Brasil afora.