Blue little bird

O gorjeio está rolando solto nos escritórios do Twitter. A rede social divulgou ontem o relatório com os resultados financeiros do primeiro trimestre e os números subiram mais alto do que as estimativas dos analistas de Wall Street. Até o fechamento desta honorável edição, as ações da companhia de San Francisco tinham voado em 15%, chegando perto dos 40 USD por ação, o maior crescimento nos últimos seis meses. E como a empresa conseguiu cantar de galo? Apostando numa limpa de perfis fantasmas e criando ferramentas para agradar tanto usuários como anunciantes. Mas, antes de falar desse assunto, bora olhar a numerada.

Segue o fio

O Q1 do Twitter registrou USD 787 milhões em receita, acima dos USD 776 milhões previstos inicialmente pelos analistas, mantendo um crescimento ano-a-ano de 18%. O lucro por ação (ou earnings per share) também fez bonito: ficou em USD 0,37, quando a aposta do mercado estava em USD 0,15. O lucro líquido aumentou para USD 191 milhões, bem maior do que os USD 61 milhões registrados no mesmo período do ano passado, marcando o sexto trimestre consecutivo de rentabilidade após anos amargando perdas. Mas nem tudo são corações: o número de usuários ativos mensais (MAU em inglês) ficou em 330 milhões. Mais do que os 321M anotados no final de 2018, porém longe dos 336M existentes há um ano.

Don't worry about a bot

O aumento da base sempre foi o calcanhar de Aquiles da rede social, que nunca conseguiu acompanhar a migração de usuários experimentada por aves de maior porte, tipo Facebook e Instagram. Por esse motivo (e também por conta do perfis fantasmas que existem na plataforma) o Twitter não exibirá mais o números de MAUs, colocando no lugar uma métrica relativa ao número de usuários que acessam o site diariamente e pode visualizar os anúncios exibidos por lá — um número bem mais atraente para a turma anunciante, aliás. Nesse quarter, o total  ficou em 134 milhões neste trimestre, acima dos 124 milhões de dezembro. Bota arroba nisso.

Every little (fake) tweet

Um dos pontos que o TWT fez questão de destacar nesse report foram suas iniciativas para lidar com problemas como compartilhamento de informações particulares e imagens barra-pesada. Sobre a abordagem com relação às denúncias, a empresa de Jack Dorsey declarou que fez melhorias em seus algoritmos para que o sistema fosse capaz de identificar conteúdo abusivo, sendo que a postagem depois passa por curadoria humana. Atualmente, 38% dos tweets do mal são encontrados pela própria ferramenta — sendo que, ano passado, essa porcentagem estava em 0%.  Das mensagens que divulgam dados pessoais, a plataforma desenvolveu uma funcionalidade para remover essas mensagens. Uma verdadeira faxina twitteira.

Is gonna be alright

Até agora, os papéis da companhia registram aumento de 20% este ano. Um número que, mesmo pequeno quando a gente compara com os percentuais de três dígitos do Vale do Silício, ainda está bem acima da média do mercado (até porque o Vale só dá para comparar com o Vale, vamos combinar). Como o objetivo é continuar com o voo embalado e captar mais dinheiros, a empresa também anda apostando numa nova interface para arrebanhar mais usuários e publicidade. Parece que, após anos levando paulada, a rede aprendeu a fazer a lição de casa sobre como se vender melhor. Parece que aquele ditado de que não se ensina truques novos a cachorros velhos não se aplica com aves, não é mesmo?