Faz parte do meu show (business)

O que Quatro Amigas e um Jeans Viajante,  Priscila, A Rainha do Deserto  e Diários de Motocicleta têm em comum (além de acusarem o golpe da idade)? Eles fazem com que a gente queira ignorar os boletos que estão à caminho, pegar uma mochila e sair explorando  mundão afora. Além da equipe desta sagaz newsletter, o Airbnb também percebeu o potencial que esse tipo de conteúdo pode trazer para seus negócios e está trabalhando em produções que possam incentivar o espírito viajandão de um número maior de usuários — e, consequentemente, aumentar o uso de seus serviços.

Segura esse mochilão

De acordo com a Reuters, que deu o furo, a ideia de criar conteúdo em vídeo veio do CEO e cofundador Brian Chesky, que deseja usar o maior número possível de plataformas para inspirar geral a renovar o Insta com fotos de viagens. Os planos para essa área estão em discussão desde os últimos três anos e envolvem a produção de minisséries e documentários sobre turismo. Programas mais focados no branding da marca, apresentando algumas das casas disponíveis no serviço, bem como rotina dos anfitriões e hóspedes que utilizam o serviço, estão no radar. E já tem produção saindo do forno. A gente aposta que vai ser coisa de jovem — estilo Bruno de Luca.

Ganhando bagagem

A companhia de San Francisco trabalhou junto com a Apple para lançar em seu serviço de streaming um programa chamado Home, que vai apresentar residências “diferenciadas”. Não querendo perder tempo, o Airbnb já anunciou outro documentário, o Gay Chorus Deep South, que segue o Coral Gay de São Francisco em uma turnê pelo sudeste dos Estados Unidos, com data de lançamento para a próxima semana, no Tribeca Film Festival. Uma das hipóteses levantada pela equipe da própria plataforma seria adaptar o aplicativo para hospedar esse tipo de conteúdo, além de fornecer podcasts e outros conteúdos aos usuários. Vale lembrar que a marca já tem a Airbnb Magazine, lançada em 2017 e publicada pela editora Hearst.

#Invejinha

Ler os reports de Netflix nos ensinou que produzir e distribuir conteúdos próprios exige gastos bem consideráveis. E, mesmo que essa proporção seja menor no caso da startup das casas, essa brincadeira não vai sair barata. Mas a estratégia pode valer para a marca principalmente por dois motivos: esse tipo de conteúdo consegue estabelecer uma relação bem mais próxima com o público. Também é possível utilizar os dados gerados pela audiência para ter insights de negócio, como regiões do mundo que mais chamam a atenção ou estilos de casa que atraem uma parcela maior de hóspedes. Sem falar que, com a exibição para uma audiência de milhões, o número de novos clientes tende a aumentar. E se tem uma coisa que empresas, de qualquer ramo, gostam, é de casa cheia.