O CEO é pop

Steve Mollenkopf não é bem um nome conhecido por grande parte dos apreciadores do mundo da tecnologia. Muito porque a Qualcomm, empresa da qual ele é o CEO, oferece seus produtos para empresas como Apple e Google e não para o consumidor final; e também pelo fato de que a divisão mais conhecida da companhia — a dos famosos chips Snapdragon — é comandada pelo presidente (e brasileiro) Cristiano Amon. Mas a fama de Mollenkopf tem tudo para aumentar por conta do acordo de paz selado entre a firma dracônica e a Apple. Acordo, aliás, que garantiu um belo bônus para o moço.

#TBT da Treta

Para quem não lembra, as companhias travaram uma briga internacional daquelas nos últimos anos. Do lado da Maçã, a companhia de Tim Cook processava a firma de equipamentos por um possível licenciamento ilegal de patentes, chegando a pedir a módica quantia de USD 27 bilhões nos tribunais americanos. Já a gigante de San Diego acusava a dona do iPhone de não pagar os royalties das suas tecnologias e moveu diversas ações para impedir que os modelos da marca equipados com seus chips fossem comercializados, conseguindo vitórias em países como na Alemanha. Ou seja: a briga tava feia.

Não fique encookado, Tim

E foi nesse clima cheio de paz e amor (#SQN) que as empresas se encontraram no mês passado para resolver as pendengas judiciais. E qual não foi a surpresa ao ver que, após quase dois anos de briga, as antigas rivais chegaram a um acordo que retomou as relações comerciais da dupla. Enquanto a Apple fará um pagamento único à fabricante de chips, a Qualcomm fornecerá seus semicondutores e tecnologias de fabricação para a marca de Cupertino. Apesar da empresa de Steve Jobs ter sido beneficiada neste acordo — já que a Intel, sua atual fornecedora, não lançou nenhum chip compatível com a tecnologia 5G — o consenso geral é de que o negócio foi muito mais vantajoso para a marca do dragão, que viu seu lucro cair em mais de 90% durante o período em que ficou brigada com  a atual BFF.

Amizade que vale ouro

E é por conta de todo esse imbróglio que terminou de uma forma inesperadamente tranquila que a moral de Steve Mollenkopf está em alta. Tanto, que o conselho da Qualcomm decidiu presentear o CEO e outros chefões do escalão com um bônus especial por conta do final feliz. Para se ter uma ideia  da generosidade da fabricante, só ele ganhará um bônus de mais USD 3,5 milhões para incluir na conta corrente. Somando os valores apurados até agora, a “caixinha surpresa” vai pagar mais de USD 8,7 milhões aos envolvidos na negociação. Além dos prêmios para a turma C-Level, o CFO David Wise informou que a companhia também vai aumentar o bônus de todos os funcionários. Moral da história: é importante saber quando ser competitivo e quando vale mais a pena ficar de bem com os ex-coleguinhas.