Tell me something, Tim...

A geração atual de iPhones se destaca em uma série de fatores. Um deles é pra lá de infame: a conexão do smartphone não é tão ágil quanto a dos principais concorrentes. O motivo? Foi a partir da família XS que a Apple passou a contar apenas com os modems da Intel em seus celulares. Sem conseguir disfarçar as evidências, ficar para trás não caiu nada bem para o smartphone mais famoso (e caro) do mundo. Com a volta da Qualcomm para a lista de contatinhos de fornecimento, a separação entre Apple e Intel era inevitável e aconteceu no último mês. Prepare o lencinho, porque a história desse divórcio é mais sofrência do que a versão nacional de “Shallow”.

Are you happy with this modem world?

Não é de hoje que a Intel vem decepcionando. A fabricante teve que revisar seus equipamentos por várias vezes atendendo a pedidos da Apple. Para adicionar mais pimenta à mistura, a produção sofreu diversos atrasos e problemas técnicos eram constantes. O The Information trouxe bastidores (paywall) de uma separação digna dos casais barraqueiros do cancioneiro popular. Meaning: as farpas e acusações voavam de todos os lados em reuniões entre os gerentes das companhias, relatam fontes. A dificuldade da Intel em desenvolver uma nova geração de chips para conexão em redes 5G foi o motivo que faltava para a coisa azedar de vez.

Or Qualcomm can give you more?

Que fique claro, não é como se a fabricante de chips não tivesse investido na relação. Seus esforços começaram em 2010, com a compra da empresa alemã Infineon, por USD 1,4 bilhão. A ideia era recuperar o bonde do mobile, já que a marca dispensou a chance de fornecer os chips do primeiro iPhone, lá em 2007. Corta para 2019 e a empresa de Santa Clara é obrigada a fazer o Matheus & Kauan e “ter que superar” a Apple voltando para os braços da Qualcomm. O golpe foi tão grande que o CEO da Intel, Bob Swan, declarou que a marca não pretende continuar no mercado 5G para smartphones. Uma saída para reduzir prejuízos é vender essa divisão para quem estiver interessado — possivelmente, até para a própria Maçã.

Ain't it hard makin’ chips so hardcore?

No fim das contas, todo mundo aprende algo com um divórcio. Mesmo que seja “não se case”. Para a Apple, a situação serve como uma forma de reforçar sua visão controladora de garantir o melhor desempenho em seus produtos. Apesar de estar dormindo com a ex-inimiga Qualcomm, a gigante de Cupertino está mantendo um olho aberto e busca alternativas para a produção interna desse tipo de equipamento. Já a Intel pode até continuar na produção de modems, mas deve procurar um novo amor: as indústrias automotiva e robótica são contatinhos em potencial. Fica a dúvida se a marca ainda vai reviver o sucesso dos tempos em que reinava absoluta em um mercado, como na era dos PCs. Ou se é melhor só tomar um trago, colocar uma Marília Mendonça para tocar e aceitar a traição.