Cookies e Bytes

Além de ter agraciado o mundo com uma culinária repleta de quitutes como as vinas (versão mais encorpada de hot dog) e pretzels (we <3 pretzels), a Alemanha proporcionou para esta humilde newsletter a notícia que abre a edição de hoje. Acontece que, em entrevista para o portal t3n, Chris Beard, CEO da Mozilla, anunciou que a empresa está planejando um serviço de assinatura para o famoso navegador do panda vermelho, que contará com recursos extras para convencer a galera internáutica a tirar o escorpião do bolso e se cadastrar no serviço.

Carteira secreta

Com lançamento pensado para outubro deste ano, o PremiumFox trará funcionalidades relacionadas com o mundo da segurança para fisgar possíveis usuários. O primeiro produto anunciado por Beard foi um serviço de VPN que “isola” a sua conexão e torna mais difícil para outras máquinas descobrirem seu histórico de navegação. Segundo o The Next Web, a ideia inicial seria oferecer navegação gratuita via VPN e cobrar a partir de determinado ponto de consumo. Além dessa ferramenta, estaria nos planos da empresa o oferecimento de uma solução de armazenamento de dados que funcionaria como opção para quem deseja utilizar as benesses da nuvem, mas não quer upar seus conteúdos em sistemas gerenciados por empresas como Google (via Drive) e Microsoft (OneDrive).

Muitos bolsos mas nenhum tá cheio

Atualmente, 90% da receita da companhia alemã vêm do acordo que ela mantém com buscadores — principalmente o Google — para oferecer a ferramenta como padrão nas pesquisas em seu navegador. O serviço de assinatura é a tentativa mais recente da Mozilla de manter suas finanças mais equilibradas, explica Beard. Afinal de contas, se pandas vermelhos botassem ovos, não colocariam todos eles em uma cesta, não é mesmo? Por isso a dona do Firefox ainda busca um modelo de negócios viável para seu braço de conteúdo, incluindo a ferramenta de curadoria Pocket. E, é claro, a oferta de assinatura para serviços premium em seus produtos.

Diferentona

“Nós queremos adicionar mais serviços por assinatura ao nosso mix e focar no relacionamento com o usuário para sermos mais resilientes como negócio”, comentou o presida da Mozilla. A visão de negócios “privacy-focused” parece bastante conveniente e até um pouco irônica, já que o FF está em uma posição singular: é a única das grandes ferramentas para surfar na internet que não quer 1) trackear até a sua terceira geração de descendentes para vender anúncios e/ou seu histórico de navegação e 2) não está integrado a um sistema operacional, caso de Safari e Microsoft Edge (ainda existe isso?), por exemplo.

Panda ao ataque

Além de se posicionar como alternativa, a Mozilla tem a chance de apontar dedos, sem dó, na cara de várias concorrentes históricas e, mesmo que a novidade não dê certo, garantir que esse panda vermelho vai cair atirando. “As big tech agora dizem que privacidade é a prioridade número um. É uma ironia para nós — nós falamos sobre o assunto há 1 década. Mas é interessante: é como se o assunto fosse uma ameaça ao seu modelo de negócio (não somos) e como se elas realmente se importassem com os usuários e seus interesses”, comentou Beard. Levou dois pontos pela audácia.