Amazon is dead, long live Amazon!

O mês de julho é cheio de marcos importantes: a primeira edição do Wall Street Journal, o The BRIEF batendo a marca de 500 edições e a Amazon completando 25 anos de vida. A diferença é que, ao contrário da gente e dos caras do WSJ, a rainha do e-commerce briga “nas cabeças” para ser uma das companhias mais valiosas do mundo. E também é a única que tem o fundador falando todo o tempo sobre a possibilidade de falência. Em mais de uma oportunidade, Jeff Bezos lembrou sobre a impermanência de seus negócios e sobre a tendência de que empresas grandes batam as botas em poucas décadas.

All things must pass

O que chama a atenção no discurso pouco usual do CEO é que esse "medo de falhar" parece motivar a expansão da amazona. No fim de 2018, ficou famosa uma resposta de Bezos para um colaborador durante um all hands na qual ele comenta que o destino de grande parte das big companies é quebrar. "A Amazon vai a falência. Se você observar as grandes companhias, o ciclo de vida delas tende a ser entre 30 e poucos anos, não 100 e poucos anos". Obviamente que a fala do bilionário não significa que ele vai ficar sentado em sua cadeira esperando. Pelo contrário, a marca está com carrinho cheio de negócios alternativos.

Amazon Primos

Atualmente, a empresa do menino Jeff representa algo em torno de 38% do e-commerce norte-americano, segundo a consultoria eMarketer – domina as vendas de livros digitais (duh) com 67% das vendas, representa 45% das vendas de brinquedos online e arrecadou mais de USD 25 bilhões com a Amazon Web Services no ano passado. Mas, as vendas online e os serviços em cloud são apenas dois dos inúmeros negócios que pertencem à gigante de Seattle. Atualmente, a companhia expandiu sua área de atuação para negócios que vão desde a venda de sapatos até gadgets de segurança domiciliar, passando por sites de reviews e bancos de dados de filmes até chegar em ferramentas para ajudar professores no ensino de matemática. Quem ficou na dúvida, pode conferir a lista de marcas da Amazon aqui.

Com Jeff é 80 ou 800

A gigante de Seattle costuma se manter discreta em relação ao alcance de suas empreitadas e se defende de acusações de que estaria "grande demais" – afinal de contas, ela representa apenas 4% de todas as vendas no varejo dos EUA. Só que os números mostram algo diferente. São mais de 80 marcas próprias e, de acordo com a turma do Quartz, a empresa já garantiu ou solicitou o registro de cerca de 800. Por vezes, esses nomes são utilizadas apenas dentro do e-commerce próprio. Depois de ver algum vendedor fazendo sucesso com um produto específico, não é raro que a rainha do comércio online passe a fabricar o tal item por conta própria. A prática não é lá muito amistosa para as marcas que usam o e-commerce. Tanto poderio já faz com que autoridades norte-americanas levantem a sobrancelha, como é o caso da senadora Elizabeth Warren e seu plano de dividir as big tech – as propostas até geraram uma resposta oficial.  

Viva: a Amazon é uma Festa

O fato é que para um CEO que vive falando sobre a morte de sua empresa, Jeff Bezos parece bem vivo. Sorry, a gente não conseguiu evitar a piada. O que é mais curioso do que a referência ao filme animado da Pixar no intertítulo deste parágrafo sem qualquer motivo aparente é o fato de que, em um pedido só, é comum que os consumidores paguem por três serviços/produtos diferentes da gigante: ao usar o site (que fica com alguma comissão), no frete via Prime (feito pela própria marca, muitas vezes) e no produto. Nada mal para alguém que luta para se manter no mercado nas próximas décadas. A gente não sabe se a Amazon um dia vai mesmo morrer. Mas, claramente, Bezos está fazendo de tudo para ter Remember Me como a música tema de sua gestão.