As coisas escalaram rápido

É bem provável que ainda leve uns bons anos para que nós, jovens latino-americanos sem dinheiro no banco ou parentes importantes, consigamos dar uns rolês nos carros autônomos. Mas isso não significa que a indústria não esteja acelerada para desenvolver as melhores soluções no menor tempo possível. E, nessa corrida maluca & bilionária, empresas que atuam como fornecedoras também estão com o tanque de investimentos bem cheio. O exemplo mais recente (paywall) fica com a Scale: a firma, que produz softwares para o setor, está finalizando uma rodada de investimentos com a Founders Found (do Peter Thiel) que pode fazê-la alcançar USD 1 bilhão de valuation. Número inimaginável há 1 ano, quando seu valor de mercado estava em USD 90 milhões. 

All roads lead to AI

Fundada em 2016, a Scale participou no mesmo ano da turma de aceleração da Y Combinator, companhia famosa por ter incubado startups como Airbnb e Dropbox. A empresa é focada no desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial que, com a ajuda do machine learning, possam utilizar algoritmos de visualização para diversos negócios. Além dos self-driving cars, a empresa desenvolve tecnologias para uso em drones, robôs e até para o setor de varejo — tipo o sistema usado na Amazon Go para registrar quando um cliente pega ou devolve um item para fazer o pagamento sem a necessidade de passar pelo caixa. Por conta da sua solução para os veículos independentes, ela vem trilhando a estrada da riqueza.

Voando baixo

Com clientes como Waymo, Toyota, Uber e Lyft, a companhia já conta com quase 100 empregados e gera receita. Segundo as fontes que falaram com o The Information, o caixa da empresa saltou de USD 4 milhões para USD 40 milhões no último ano por conta de todos os contratos. Algumas empresas, inclusive, estariam investindo mais de USD 1 milhão para que o negócio desse certo. Isso sem falar no Founders Fund, que está envolvido na tal rodada de USD 1 bilhão: a estimativa é que mais USD 50 milhões sejam injetados na companhia. E o que faz com que a Escala seja encarada como a última roda da borracharia? Explicamos logo baixo.

Porta-malas cheio de data

Acontece que, para que a inteligência artificial reconheça um objetivo (tipo, uma lixeira), ainda existe um bocado de trabalho humano. As firmas contratam empresas terceirizadas para que essas pessoas, basicamente, passem o dia inteiro catalogando objetos para que as IAs consigam identificá-los e, assim, agir da forma correta, parando ou desviando. A Scale não é a única que utiliza esse processo para criar suas soluções, mas acabou se destacando da concorrência por ter começado o trabalho bem antes. E, por isso, tem uma base de dados mais sofisticada. Em um mercado em que o objetivo é chegar na frente, esse tipo de vantagem faz a diferença.

De carona no sucesso

Quando pensamos em quem está liderando essa corrida, como Waymo/Alphabet e Uber e Cruise/General Motors, realmente são bem poucas as empresas que teriam cacife para entrar nessa briga. Mas ainda existe um mercado de investidores bem interessado em companhias que trabalhem com equipamentos ou sistemas voltados para o mercado dos carangos tecnológicos. Apesar de, na altura do campeonato, está mais complicado se jogar nessa disputa, o exemplo da Scale lembra que se juntar com quem já está na pista pode ser bem mais vantajoso do que batalhar por um lugar na disputada janelinha corporativa.