Justiça para os youtubers

O YouTube atualizou as diretrizes do seu sistema de copyright para evitar que grandes estúdios se aproveitem do conteúdo de criadores do site. Pelo menos esse é o objetivo. A companhia da Google anunciou que as detentoras de direitos autorais não poderão monetizar vídeos por uso de trechos pequenos de música quando a queixa for feita de maneira manual. Com isso, se parte de algum som protegido aparecer em um vídeo e for denunciada pela gravadora, a dona dos direitos não poderá ganhar dinheiro em cima da produção e terá apenas duas opções: desativar a monetização ou bloquear o conteúdo. Segundo o YT, o número de registros manuais tem sido cada vez mais “agressivo”, mas a atualização das diretrizes, em longo prazo, pode fazer as Labels deixarem os creators em paz. Nesse período de adaptação, porém, o site indica que uma onda de bloqueios podem acontecer. Um detalhe importante é que a mudança só vale para reclamações manuais, quando alguma pessoa faz o registro diretamente no YouTube. Ou seja, as firmas ainda podem monetizar vídeos inteiros ao encontrarem segundos de música na produção se a descoberta for feita por meio do sistema automatizado do Content ID. Como ressalta o Tech Crunch, a solução que usa um banco de dados fornecido pelas companhias é a responsável pela maioria das reivindicações da plataforma. Então, a tendência é de que haja poucas mudanças para o youtuber brasileiro médio.

Carga Uberizada

O modelo de negócio “Uber” está se expandindo para diversos setores, e a startup Kobo360 está ganhando a atenção na África ao unir caminhoneiros e empresas com seu aplicativo. Nesta semana, a startup anunciou que conseguiu angariar USD 30 milhões de investimento vindos de bancos da Nigéria e de uma instituiçãozinha financeira chamada Goldman Sachs (que também está trabalhando no Apple Card). A grana vai ajudar a firma fundada em 2017 a aumentar sua rota de atuação para 10 países até o fim de 2020. Atualmente, a empresa disponibiliza seu app na Nigéria, no Togo, em Gana e no Quênia, com uma frota de 10 mil motoristas. Os criadores também não economizam esforços para tentar atrair e manter os Pedros e Binos em seu sistema. A Kobo360 já anunciou serviços de financiamento, seguro e treinamentos para mostrar que não existe cilada em sua plataforma, que está disponível em diversas línguas. Além de garantir mais alcance para seu negócio de logística, esse trabalho de base chega a garantir 40% mais lucros para os motoras, segundo o CEO e cofundador Obi Ozor. Agora é esperar para ver se os incentivos ajudam a companhia em ascensão a garantir seu lugar no crescente mercado de logística de transporte, que está acelerando até no Brasil. Por aqui, um dos destaques no setor é a CargoX, que no mês passado lançou um marketplace para transportadoras junto com um fundo para capital de giro.

Treta nada saudável

A empresa WW (Weight Watchers), que oferece serviços de estilo de vida, está causando debates sobre saúde na interwebs. Recentemente, o negócio anunciou um aplicativo chamado Kurbo, voltado especificamente para jovens e crianças. A companhia diz que a novidade conta com respaldo científico e promete ajudar seu público-alvo a ter hábitos alimentares mais saudáveis. As táticas utilizadas incluem o aconselhamento com um “coach alimentar” e um “semáforo de comidas”, que possui um indicativo do que a criança deve ou não comer. Os criadores dizem que o principal objetivo da ferramenta é prevenir o desenvolvimento de problemas alimentares, mas a novidade tem gerado debates sobre efeitos colaterais que podem ser causados pelo serviço. Desde o anúncio do Kurbo, uma onda de críticas contra o app surgiram, incluindo uma petição para que a WW retire o programa do ar. A galera contrária ao lançamento alega que a plataforma pode gerar uma má relação com a comida e ser o estopim para transtornos relacionados à autoimagem nos jovens usuários. Enquanto o app continua no ar e as críticas não param de chegar, a decisão de usar ou não continua nas mãos dos pais e responsáveis.

O poder do norte

Além de ser o país mais gente boa do mundo, o Canadá é o lar de uma indústria tech que está chamando a atenção de investidores. O business que fez o dinheiro de muita gente pular na carteira nesta semana foi o Shopify, firma que desenvolve softwares para varejistas e e-commerces. A empresa anunciou um serviço gratuito de chat que promete unir todas as tribos e deixar o usuário entrar em contato com as lojas de qualquer plataforma ou sistema operacional — basta utilizar um navegador web. No futuro, o objetivo é estender a tecnologia ainda mais e trazer suporte para SMS. A novidade chega pouco tempo depois de o negócio apresentar um relatório com resultados tão bons quanto bagels canadenses, incluindo receita de USD 362 milhões, com crescimento de 48%. A vibe positiva está fazendo muita gente apostar que a firma será o próximo filho do Norte a fazer um IPO, mas a “concorrência” está bem acirrada. O pessoal do Bloomberg aponta que mais de USD 751 milhões foram investidos em capital de risco no país do Justin Bieber só no primeiro trimestre do ano. Além de ser a casa da Shopify, a terra do hóquei abriga companhias como o site de histórias/fanfics Wattpad e a fintech de financiamento Clearbanc, que já arrecadou USD 420 milhões desde sua fundação, em 2015. Nesse ritmo, o que não vão faltar são empresários canadenses pedindo desculpas para startups ianques por abocanhar investimentos cada vez maiores.