United States of Genética

E se você pudesse saber tudo o que há (ou pode dar de) errado com a sua saúde de acordo com o seu código genético? Essa é a missão da Color, uma healthtech do Vale do Silício que foi contratada pelo governo dos Estados Unidos para oferecer "aconselhamento genético" a milhares de americanos. Intitulada "All of Us" — ou "Todos Nós", em português —, a pesquisa quer coletar dados de 1 milhão de participantes para tentar traçar padrões entre estilo de vida, ambiente e biologia dos participantes e causas de doenças que possam estar relacionadas com algum dos fatores acima e, assim, desenvolver tratamentos para diferentes condições.

 

Cores para todos

Ao contrário de outras iniciativas que unem big data e saúde, a empreitada da Color é mais acessível ao grande público. Isso porque, em troca de ceder seus dados, os participantes receberão informações sobre sua própria genética e terão acesso ao que os dados do estudo mostram sobre a saúde deles. A ideia é prevenir quem tem tendência a ter um ou outro tipo de problema e, claro, dar aquele alerta bacana antes que as pessoas estejam com um pézinho na cova. A medida pode não parecer revolucionária, mas coloca a startup como uma das pioneiras no setor, já que não é usual que companhia desse tipo surjam com a proposta de, justamente, compartilharem seus dados com os usuários.

 

A cor é verde, verde-bufunfa

O grande lance é que os participantes poderão tomar decisões com base no seu histórico e potencial genético para desenvolver doenças, da mesma forma que a atriz Angelina Jolie — que, em 2013, realizou uma mastectomia por conta de seu alto risco de desenvolver câncer de mama. Até o momento, cerca de 175 mil participantes já estão inscritos no projeto. O serviço deve ser em grande parte remoto. Não foi divulgado o quanto a startup está cobrando do governo americano pelo serviço, mas se especula que o valor gire em torno de USD 25 milhões. E existe potencial para que esse número suba. Segundo o estudo do Digital Health Market, é esperado que o valor global do mercado de tecnologia em saúde ultrapasse os USD 504,4 bilhões até 2025. E é aquela coisa, 2025 nem está tão longe assim.

 

Todas as cores do DNA

Outras startups estão de olho nesse mercado e fazendo barulho, mas nem sempre por motivos tão "nobres". Na semana passada, a 23andMe, empresa de testes de DNA, anunciou um plano de compartilhar dados genéticos de milhões de consumidores com a gigante farmacêutica GlaxoSmithKline, para ajudá-la a desenvolver novas drogas. Sabemos que a Color irá disponibilizar os dados de sua pesquisa para os participantes do estudo, mas fica o questionamento: será que mais alguém vai acessar (e lucrar com) as informações levantadas pelo projeto?

 

Colorindo com propriedade

Não é de hoje que a companhia de análises genéticas pinta o sete. Fundada em 2013 pelos executivos Othman Laraki e Elad Gil, ambos ex-Twitter, além do engenheiro de cyber segurança Nish Bhat e do físico Taylor Sittler, a startup vende pacotes de teste genético para diferentes fins (indo de testes de câncer de mama a câncer de próstata). Mas, seu principal propósito é que os consumidores tomem decisões informadas a respeito da saúde. É aquela coisa, caldo quentinho e informações genéticas não fazem mal a ninguém. A Color já recebeu aportes da General Catalyst, que tem em seu portfólio empresas como Airbnb e HubSpot, e da Emerson Collective, organização fundada por Laurene Powell Jobs, viúva do cofundador da Apple e investidora. Ou seja, bala na agulha e referências de peso a Color tem; agora resta o tempo dizer se ela vai entregar o que promete. No momento, a gente apostaria que anda tudo azul por lá.