Acorda para cuspir, Insta

Não vai ter mais casa, comida e roupa lavada para o Instagram, pelo menos no que depender do Facebook. É aquilo, a gente cria o filho, mas chega uma hora em que ele precisa começar a trabalhar e se sustentar sozinho, e é assim que o “M Team” do Facebook pensa. Explicamos: o time "M" é formado por diversos executivos seniores da empresa de Mark Zuckerberg. Embora exista muita alegria no fato de o crescimento do Instagram ter sido impressionante — só em 2018 a rede social de fotos teve receita de USD 9 bilhões, apenas 2 anos depois de ter registrado USD 1 bilhão —, alguns executivos acham que é a hora de começar a devolver toda a força que o Facebook deu para ele, afinal esse potencial todo só foi atingido com a ajuda do CaraLivro pagando as contas. E o almoço nunca é grátis, não é mesmo?

Uma mão lava a outra

As ideias para que o Instagram devolva o empurrãozinho do Facebook são muitas, e vão desde criar algum processo para direcionar seus usuários de volta para a “nave-mãe” até aumentar o número de stories patrocinados exibidos. Mesmo sem um plano claro, o Instagram já tem pela frente algumas metas para bater: dobrar o número de anúncios na rede, integrar-se com outros serviços da casa, com Messenger e WhatsApp, e começar a pagar as próprias contas. O que pega, porém, é como essas mudanças irão afetar a percepção sobre a rede no mercado.

Cool kids of Instagram

No escritório da Califórnia, o time do Instagram sempre foi considerado a parte descolada da turma, com aquele ar de independência, rebeldia e criatividade, e uma das marcas da equipe era ter autonomia nas decisões, mas tudo mudou após a saída de Kevin Systrom e Mike Krieger, os cofundadores da rede social. Desde então, a maior parte dos líderes seniores do Instagram foi substituída, com o produto agora sendo comandado por Adam Mosseri, um dos braços direitos de Zuckerberg. Com a rédea cada vez mais curta para o time da rede de fotos, uma das preocupações é que os talentos que fizeram e fazem o Instagram único abandonem o barco.

Colocando (?) ordem na casa

Mosseri não fez mudanças dramáticas no Instagram desde que assumiu a função. Talvez a maior delas tenha sido integrar mais de perto as políticas de segurança com o resto do Facebook e um módulo de checagem de conteúdo falso. As tradicionais reuniões semanais também foram mantidas e ocorrem independentemente das realizadas no Facebook. A tarefa mais urgente de Mosseri, no entanto, é encontrar gente para substituir a dúzia de funcionários que pediram para sair do Instagram. Enquanto algumas realmente saíram da empresa, outras migraram para outros setores, como o time da nova criptomoeda Libra. Outro ponto que contribui, e muito, para que o Facebook queira manter o Instagram cada vez mais próximo é que isso fortalece a companhia contra tentativas de reguladores separarem as empresas em processos antitruste, como aquele para o qual a candidata democrata à presidência estadunidense Elizabeth Warren tanto faz campanha. Ter o Insta mais alinhado com as políticas do app azul é um movimento que pode o menino Zuck mais tranquilo, já que não é de hoje que tem gente do alto escalão da empresa com medo do sucesso do Instagram, considerando-o até mesmo uma ameaça, pasmem.

Ásia, para que te quero

O novo líder do Instagram também tem feito alguns avanços no continente do sol nascente. Um dos planos é se aproximar cada vez mais de mercados que podem crescer, e a Ásia é o local perfeito para os projetos futuros da rede social da biscoitagem. Mosseri já revelou que o primeiro escritório internacional do Insta ficará no Japão e já está com o calendário cheio de invites para conversas com possíveis parceiros comerciais asiáticos. Ah, e encontros de relacionamento com estrelas do K-Pop que usam o serviço também estão na mira. Na Grande Família que é o Facebook, não dá mais para o Instagram pagar de Tuco. Você percebe que vai ser um bom dia quando consegue fazer uma piada final com um seriado cafona e mesmo assim fez algum sentido.