10.500

O número de viagens operadas pela Waymo em seus mais de 2 anos de vida. As corridas realizadas pelos veículos da divisão de carros autônomos da Alphabet, empresa-mãe da Google, têm recebido notas e comentários dos passageiros para refinar cada vez mais o serviço, e o teor do feedback não foi muito diferente do que acontece com o "nem-tão-bom" e "nem-tão-velho" Uber. Teve gente que ficou impressionada com a capacidade da Waymo de lidar com os barbeiros no trânsito, enquanto outros  disseram que o veículo foi a causa de atrasos para chegar ao trabalho e a outros compromissos. As avaliações vieram de dados publicados por passageiros entre julho e início de agosto no entorno da cidade de Phoenix, no estado do Arizona. Ainda que as informações sejam parciais, elas já mostram uma melhoria: o feedback negativo de questões como conforto e segurança caiu 10% em comparação com o período anterior analisado, ainda que as reclamações nesse sentido não tenham cessado por completo. Mas é aquilo: falem bem ou falem mal, mas falem de mim.

4 bilhões de dólares

O valuation da startup chinesa de inteligência artificial, Megvii, que vai fazer seu IPO na Bolsa de Hong Kong. A companhia tem entre seus investidores o Alibaba e empresas que são financiadas pelo regime chinês. E o que essa companhia faz para ter tanta gente importante de olho? Reconhecimento facial para gerenciamento de trânsito. Motivos para torcer pela Megvii não faltam. Até 2020, o país mais populoso do mundo quer se tornar também o líder mundial em tecnologia de inteligência artificial, o que explica o crescimento tão rápido da empresa, com até mesmo o governo chinês já na lista de clientes. Até o momento, não foi divulgado o valor das ações ou as datas para o início do processo de IPO, mas as coisas já parecem muito promissoras. Só no começo do ano, a Megvii fechou uma rodada de investimento de cerca de USD 750 milhões, isso depois de ter crescido mais de 350% em 2018. Na frente da Megvii na corrida pela soberania de IA chinesa só existe a rival Sensetime, com valuation de mais de USD 4,5 bilhões.

19

O número de startups que estão recebendo investimento do Breakthrough Energy Ventures (BEV), fundo de USD 1 bilhão criado por Bill Gates para encontrar companhias que desenvolvam energia limpa. Além de Gates, o grupo é financiado por outros endinheirados da tecnologia, como o presidente da Amazon, Jeff Bezos, o fundador da Alibaba, Jack Ma, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e o fundador da SoftBank, Masayoshi Son — só para citar alguns. Para estar apta a receber um "empurrãozinho" da BEV, a ideia de negócio que pleiteia uma vaga precisa desenvolver uma tecnologia cientificamente segura que tenha potencial para reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em, pelo menos, 500 milhões de toneladas cúbicas ao ano. Em setembro de 2018, eram 8 empresas no portfólio do fundo, mas desde então mais 10 foram contempladas com aportes, entre elas companhias focadas em energia renovável, compartilhamento de transporte e criação de proteínas de baixo carbono. Como esse tipo de firma não oferece retorno financeiro de curto ou médio prazos, iniciativas como o BEV são importantes, já que seus financiadores não dependem de retorno rápido, com possibilidade de esperar até 20 anos para ver a grana voltar, o que talvez seja o mais próximo de caridade a que o Vale do Silício é capaz de chegar.

 

2020

O ano em que o Facebook espera colocar para rodar a Libra, um marco econômico e tecnológico da empresa de Palo Alto. Bem, quer dizer, se der tudo certo, porque a quantidade de tretas envolvidas no negócio faz a gente questionar se a novidade realmente vai dar as caras no mercado no ano que vem. A Libra Association, órgão criado para cuidar da moeda digital, conta com 28 membros fundadores que investiram pelo menos USD 10 milhões para fazer a ideia acontecer. Mesmo com toda essa galera, tem sido comum ver apenas o Facebook assumindo o papel de porta-voz, algo que era de se esperar, já que uma subsidiária da firma será a primeira carteira digital do novo webdinheiro. Só que, segundo fontes do Financial Times, a rede social já está cansada de colocar a cara a tapa e quer que mais gente se levante e tome o microfone para falar sobre o assunto. O problema é que nem todo mundo está com vontade de fazer isso: como já comentamos por aqui, a criptomoeda está passando por investigações globais, e esse processo de regulação está assustando algumas empresas que apoiam a iniciativa — diga-se quem dá dinheiro para a Libra acontecer. De acordo com o FT,  pelo menos três dos fundadores da moeda digital estão pensando em pular do barco antes mesmo de ele zarpar. O jornal das páginas de cor salmão aponta que duas companhias estariam querendo desistir da ideia por causa das tretas regulatórias, enquanto um dos participantes está receoso em ter sua marca relacionada à imagem do ativo, que não anda muito boa e pode atrair a atenção de autoridades. As fontes da publicação também criticaram a pressa na hora de apresentar a novidade, uma vez que assuntos regulatórios não teriam sido discutidos com profundidade antes de o produto ser revelado ao mundo. Com tudo isso, fica até meio difícil de acreditar que a Libra realmente vai sair do papel: se nem os caras que financiam a parada estão botando muita fé na empreitada, por que nós deveríamos?