Zero

O número de curtidas que talvez você comece a ver nos posts do Facebook futuramente. A rede social confirmou que está fazendo testes bem limitados e pode esconder o contador de likes em publicações algum dia. A jogada seguirá os mesmos padrões do que já vem acontecendo no Instagram: somente o usuário poderá ver a quantidade de thumbs up recebidos, enquanto o contador público trará as reações e os nomes de amigos que interagiram na timeline. A expansão da mudança para o site de 2 bilhões de usuários pode significar que o experimento está dando certo no Insta. Apesar de extinguir o poder do famoso botão de like, a novidade pode ser bem positiva para a plataforma de Mark Zuckerberg. Segundo ressalta o TechCrunch, a ausência de dados públicos pode tirar a pressão dos usuários e influenciar postagens mais frequentes, além de ajudar a camuflar a queda de usuários, que estão cada vez mais propensos a deixar o velho CaraLivro para gastar seu tempo em novos aplicativos.

 

6.000 caracteres

O tamanho do contrato com termos de uso do aplicativo de vídeos chinês ZAO, que foi lançado na sexta-feira e está em primeiro lugar nos downloads da App Store do país. Qual é a jogada do sucesso? A ferramenta encantou muita gente ao colocar pessoas comuns em cenas de filmes e séries em questão de minutos, utilizando inteligência artificial e um conjunto de fotos do rosto do usuário. Como era de se esperar, os rápidos resultados na substituição de faces já estão gerando tretas e o app até foi banido do WeChat por causa de seu potencial de desinformação. Mas as tretas não param por aí: o serviço também estava pedindo um preço alto demais para funcionar. No lançamento, as diretrizes diziam que o usuário abria mão dos direitos de qualquer imagem upada nos servidores do programa, que poderiam ser usadas para fins comerciais pela empresa por trás do negócio, a Changsha Shenduronghe, subsidiária da Momo (uma companhia chinesa, não a lenda urbana das interwebs). Durante o fim de semana, a desenvolvedora alterou o texto para amenizar a polêmica e disse que vai remover os arquivos de seus servidores sempre que os conteúdos forem excluídos pelos usuários. Nós sabemos que é meio chato ficar lendo os termos de uso, mas de vez em quando é necessário fazer esse esforço. Principalmente quando o app em questão falsifica rostos e pede para você abrir mão do copyright da sua própria face.

 

Quase R$ 18 milhões

valor total da multa que a Google e a Apple tomaram no Brasil por causa do FaceApp. O Procon-SP disse que o aplicativo de envelhecer fotos, que virou uma febre há alguns meses, violou o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Acontece que o aplicativo foi distribuído no Brasil sem “Políticas de Privacidade” e “Termos de Uso” localizados no nosso idioma, e como a desenvolvedora russa Wireless Lab não tem representação no Brasil, as lojas de aplicativos acabaram pagando o pato: a Big G foi sentenciada a pagar R$ 9,96 milhões, o valor máximo previsto pelo CDC, enquanto o boleto mandado para a dona do iOS foi de R$ 7,74 milhões, já que o faturamento da firma é menor no Brasil. O principal motivo para a punição é a presença de cláusulas no contrato de uso do FaceApp que permitem o compartilhamento e a transferência de dados para outros países. A Google falou à Reuters que pretende recorrer do caso, já que o Marco Civil da internet diz que lojas virtuais não devem ser repreendidas por violações feitas por apps de terceiros. Ou seja, apesar de a multa ser uma ação rígida e que poderia auxiliar a implementar melhorias na privacidade dos usuários, a ação acaba não ajudando muito, já que os reais responsáveis pelo FaceApp continuam impunes.

 

USD 30 milhões

A grana que a escola de programação Lambda School conseguiu arrecadar de investidores para colocar seu plano em ação: ser uma instituição de ensino particular que só cobra depois que o aluno consegue um bom emprego. Com aulas online, a empresa já conta com cerca de 2,7 mil matriculados e tem uma taxa de crescimento de 10% ao mês. A modalidade ISA (Income share agreement), em que o usuário paga uma taxa mensal somente após estar empregado, está disponível para cursos de tecnologia, mas deve ser expandida para outras áreas futuramente, como enfermagem. E isso dá certo? Segundo a companhia, 86% dos alunos conseguem um job em até 6 meses e ganham cerca de USD 50 mil por ano. Mais do que bons números, a iniciativa também representa uma nova relação de ensino, já que a escola acaba sendo “obrigada” a entregar bons profissionais ao mercado, pois seus boletos dependem disso. Enquanto a Lambda só atua lá fora, é interessante notar que o modelo “pague quando trabalhar” já chegou ao Brasil. Aqui, o leitor do The BRIEF, Artur Vilas Boas, tem uma proposta bem similar na Future4. A startup oferece cursos de tecnologia pelos quais você só começa a pagar após conseguir um trampo que pague pelo menos R$ 4 mil por mês. E as semelhanças com a Lambda não param no modelo de negócio: a filosofia de ensino também visa trazer metodologias criativas e inclusivas, como explica o responsável pela iniciativa no LinkedIn. Em um mundo cada vez mais conectado, regido pela tecnologia e com 70 mil empregos previstos no setor em 5 anos, soluções como essa podem ser a saída para parte dos 12 milhões de desempregados no Brasil encontrarem uma nova carreira.

 

3,8 milhões de anos atrás

Uma época bem complicada, a gente diria. Foi nela que viveu um dos mais antigos ancestrais humanos de que se tem notícia. O fóssil do hominídeo vem de uma região que hoje em dia corresponde à Etiópia e foi revelado na última semana. O crânio quase completo da espécie Australopithecus anamensis permitiu que cientistas fizessem uma reconstrução marota das feições do nosso ancestral. Claro que tem foto. O que os cientistas não contam é que, já naquela época, rolava uma newsletter que contava com pinturas rupestres para falar sobre o mercado de ferramentas rudimentares de última linha, metodologias mais produtivas para fazer fogo e tudo mais. Chamava PaleoBRIEF. Como a gente sabe? A gente estava lá. A gente era o mosquito.