Quem já usou algum aplicativo de relacionamento sabe: o match não é garantia de que um papo vá rolar entre os dois usuários. Muito menos de que um encontro seja marcado. Mas e se fosse possível dar match com alguém que está na mesma festa que você?

O Poppin foi criado em 2016 pensando exatamente nessa facilidade: pular o papo virtual e ir direto para o encontro. O sistema funciona juntamente com a ferramenta de eventos do Facebook. “Em qualquer tipo de evento, seja balada, show ou festa cultural, o usuário consegue ver os perfis de quem também estará lá e tem o app instalado”, diz Filipe Santos, cofundador e gerente de marketing da empresa. Ele criou o negócio ao lado de Guilherme Ebisui, que hoje ocupa o cargo de CEO.

Fora isso, o aplicativo conta com as características dos demais: o usuário escolhe alguém anonimamente e tem acesso a um bate-papo, caso também seja escolhido pela pessoa. Só que as chances de você realmente encontrá-la são quase que certas. O “date” simplesmente já está marcado. 

“Segundo um levantamento, 0,05% dos matchs se converte em encontros da vida real. O resto não sai do aplicativo. E esse dado deu força para seguirmos com o projeto. Quando vimos essa porcentagem, validamos nosso negócio”, diz Santos. No Poppin, o índice de conversão fica em 45,8%. 

Do começo, por favor 

A ideia nasceu da experiência de seus fundadores no mundo dos apps de paquera e ganhou força quando eles perceberam que não estavam sozinhos. “Tínhamos muitos amigos e amigas nos aplicativos. O que mais ouvíamos era que, apesar das centenas de matchs, as pessoas nunca se conheciam. Quando conheciam, era uma situação chata, pois na maioria das vezes o encontro não era como elas imaginavam”, contou o empresário. Era uma questão de cuidar da experiência do consumidor também no offline: muito melhor conhecer alguém numa festa, ao lado dos amigos, do que num clássico encontro às cegas. 

A maioria dos aplicativos de relacionamento utilizam sistemas de GPS dos celulares para montar uma base de dados. Assim, mostram pessoas ao usuário de acordo com a sua proximidade. Mas os fundadores do Poppin viram mais vantagem em utilizar outra ferramenta: a de eventos do Facebook. “Mais de 100 milhões de pessoas acessam o quadro de eventos no Facebook todos os dias. Daí nós mostramos quem o usuário vai encontrar nos lugares”. 

Os fundadores Filipe Santos e Guilherme Ebisui

Show me the money

Quando o assunto é aplicativos de relacionamento, há basicamente duas maneiras conhecidas para fazer o negócio ganhar dinheiro: publicidade interna ou ferramentas premium. O Poppin estuda implantar esta última estratégia, já que os fundadores não querem colocar publicidade no aplicativo.

“Estamos desenvolvendo ferramentas de crédito para monetizar. Esse segmento movimenta US$ 4 bilhões em três países. Esses destaques pagos se tornam relevantes quando existe uma base grande, de milhões de usuários”, diz Santos. “Somos o primeiro no universo de eventos, então temos outras coisas para explorar que não queremos revelar no momento. O super like é uma ferramenta já de praxe e tem valor para o usuário, mas também pensamos em coisas novas”, completa Ebisui.

O aplicativo funciona em mais de 100 cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Campo Grande e outras regiões do Sudeste. Mas a ambição dos donos é tornar o negócio global. “No final deste ano, já pretendemos tornar o app internacional”, revela Santos.

A match, not a soulmate

Sites e aplicativos de paquera têm de lidar com uma questão um tanto dúbia: o indicador do sucesso, ou seja: o match que de fato se concretiza na vida real e segue para um relacionamento significa a perda do cliente.

Mas o Poppin, pelo menos na visão de seus fundadores, não é exatamente para quem procura encontrar a alma gêmea. Nas palavras de Santos: “os date apps entram em dois segmentos. Ou você vai para o amor e encontra a pessoa da sua vida, ou vai para o lado casual, que é conhecer pessoas novas e não focar em namoro. O Poppin entra mais nesse lado casual.”

Pé no acelerador

A startup foi uma das selecionadas para as turmas de mentoria da aceleradora ACE, em São Paulo. Para os diretores da empresa, a parceria foi fundamental para o desenvolvimento do aplicativo como funciona hoje e para a criação de planos para o futuro.

“O processo de aceleração é muito valioso, principalmente os que oferecem mentoria. Com uma parceria como a da ACE, temos acesso a mentorias do mundo inteiro, o que é muito benéfico”, contou Filipe. “Há também uma questão de mentalidade, de ter sempre alguém desafiando você, te lembrando o que os usuários querem e nos fazendo pensar sobre o que podemos melhorar”, encerra Ebisui.